Um relatório da Polícia Federal (PF) apontou que o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) constava como “usuário master” da conta bancária de uma empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.
A offshore Alcazar Holdings é administrada pelo advogado Willer Tomaz, investigado por fraudes em descontos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e era dona de um terço do jato executivo que tinha entre seus proprietários o banqueiro Daniel Vorcaro.
A informação foi revelada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e confirmada nos documentos do inquérito. De acordo com os investigadores, a documentação de abertura da conta no banco Santander indica que o parlamentar figurava com perfil que lhe conferia “nível elevado de acesso e gerenciamento” e “acesso operacional relevante”, condição que “sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa”.
A Alcazar Holdings detinha 33,33% da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., proprietária do jato Embraer Legacy 650 (matrícula PP-NLR). As outras cotas da aeronave pertenciam ao empresário Laerte Cosentino e à empresa Prime You, da qual Vorcaro foi sócio entre setembro de 2021 e setembro de 2025.
O avião foi utilizado por Flávio em janeiro de 2025 para uma viagem de ida e volta entre Brasília e Fort Lauderdale, nos Estados Unidos. Para a PF, o vínculo com a holding é relevante para esclarecer as relações indiretas em torno do patrimônio compartilhado.