
O blogueiro Paulo Figueiredo, conselheiro do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), deve R$ 5 milhões à União, segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional consultados pela Coluna de Roseann Kennedy, do Estadão. A informação surge em meio à crise provocada por declarações machistas do aliado, que disse que “mulher vota mal para caralho”.
A PGFN registra pendências no pagamento de impostos federais em nome de Figueiredo e incluiu o blogueiro na Dívida Ativa da União. Nessa etapa, não cabem mais contestações administrativas da cobrança junto ao governo.
Procurado, Figueiredo negou irregularidades e afirmou que recebeu uma autuação indevida em 2020, pela Lava Jato, durante a Operação Armadeira 2. A investigação apurava um esquema para blindar empresas de fiscalizações da Receita, e o blogueiro disse que deixou de ser residente fiscal no Brasil por morar nos Estados Unidos.
Em 2025, ele e seu pai foram condenados por uma fraude em que lucraram R$ 33 milhões. Segundo Vinicius Segalla, no DCM, à época, filho e neto do ditador tiveram seus nomes inseridos na Dívida Ativa da União por não pagarem multas que ultrapassam os R$ 100 milhões impostas pela Comissão de Valores Mobiliários, órgão vinculado ao ministério da Fazenda.
As dívidas têm origem no empreendimento do setor hoteleiro que a família Figueiredo construiu com parceria de Donald Trump, hoje presidente dos Estados Unidos. No entanto, após diversas fraudes e irregularidades, a LSH Barra Empreendimentos Imobiliários teve falência decretada pela Justiça do Rio de Janeiro na última semana.
A decisão colocou um ponto final em um empreendimento que nunca entregou o retorno prometido aos investidores e deixa um prejuízo estimado em quase R$ 200 milhões para fundos de pensão e institutos de previdência que financiaram o projeto. Em valores corrigidos, as perdas chegam a aproximadamente R$ 400 milhões.

Processo no STF e denúncia da PGR
Figueiredo também responde a processo criminal sobre a trama golpista no Supremo Tribunal Federal. O STF ainda não conseguiu intimá-lo nos Estados Unidos, onde ele vive, e o blogueiro não apresentou defesa na ação.
A Procuradoria-Geral da República denunciou o ex-apresentador da Jovem Pan sob a acusação de usar sua “capacidade de penetração no meio militar” em programas de rádio e TV para amplificar “ataques pessoais (contra generais) e aumentar a adesão (ao golpe)”. Ele é neto do general João Batista Figueiredo, último presidente da ditadura militar.

A fala sobre o voto feminino agravou o desgaste na campanha de Flávio, que já havia recebido críticas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Na última semana, durante um evento com mulheres conservadoras, o senador disse “repudiar veementemente a fala do Paulo Figueiredo sobre as mulheres”, após cerca de uma semana sem comentar diretamente o caso.
Antes do repúdio, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais em tom considerado ameno, sem mencionar diretamente indignação com a declaração de Figueiredo nem anunciar reprovação ao ataque ao voto feminino. O eleitorado feminino é tratado como um dos pontos sensíveis para o pré-candidato.
Figueiredo reafirmou os ataques ao voto feminino e disse ser “muito mais à direita do que Flávio”. “Flávio tem a posição dele, eu tenho a minha, ele está errado do ponto de vista material. Eu estou muito à direita do Flávio”. Ele também acusou o aliado de “vitimismo” por ter se dito ofendido: “Flávio dizer que se sentiu ofendido já é vitimismo. Odeio gente que se vitimiza”.