Na sexta‑feira (3), o deputado Paulo Figueiredo usou o X para atacar jornalistas, incluindo a repórter Mariana Grasso, da Folha de S.Paulo.
Figueiredo acusou Grasso de assediar sua esposa e “stalkear” o Instagram de seu sogro, sem apresentar provas, e a chamou de “gente lixo”.
O parlamentar, aliado de Eduardo Bolsonaro nos EUA, mirou profissionais que publicaram matérias sobre sua influência no bolsonarismo e a crise envolvendo Flávio Bolsonaro.
A ofensiva ocorre dois dias após o Fórum revelar que Figueiredo expôs Flávio Bolsonaro ao relatar comentários sobre voto feminino em evento com mulheres bolsonaristas.
Paulo Figueiredo publicou uma sequência de ataques contra jornalistas no X nesta sexta-feira (3), expôs a repórter Mariana Grasso, da Folha de S.Paulo, e reacendeu a memória do insulto de teor sexual usado por Jair Bolsonaro contra Patrícia Campos Mello no episódio do “furo”.
Aliado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, Figueiredo mirou profissionais que publicaram reportagens, colunas ou textos sobre sua influência no bolsonarismo, a crise em torno de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a guerra interna da extrema direita.
A nova ofensiva ocorre dois dias depois de a Fórum mostrar que Paulo Figueiredo expôs Flávio Bolsonaro ao relatar bastidores de uma fala do senador sobre voto feminino durante evento com mulheres bolsonaristas.
Paulo Figueiredo expõe Mariana Grasso no X
No ataque mais direto, Paulo Figueiredo publicou uma foto de Mariana Grasso e acusou a jornalista de “assediar” sua esposa e de “stalkear” o Instagram de seu sogro. Na mesma postagem, chamou a repórter de “gente lixo” e marcou o perfil da Folha.
Figueiredo não apresentou, na publicação, documentos ou provas que sustentem as acusações feitas contra Grasso. O movimento segue uma estratégia recorrente no bolsonarismo: deslocar o foco da apuração jornalística para o constrangimento público de repórteres.
A escalada não ficou restrita à Folha. Em outra postagem, Figueiredo reagiu a uma reportagem assinada por José Roberto de Toledo e Thais Bilenky, do UOL, sobre sua influência sobre Flávio Bolsonaro. O bolsonarista negou escrever discursos do senador e atacou os autores da apuração.
Publicações de Paulo Figueiredo têm teor sexualizado
A sequência também incluiu ataques à jornalista Fernanda Hamann. Ao compartilhar um texto de opinião assinado por ela, intitulado “Inveja da vagina”, Figueiredo escreveu: “Só acertou em uma coisa: eu amo vagina”.
Em seguida, o bolsonarista voltou ao tema e publicou outra imagem de Hamann com a frase: “Mas nem todas”.
As publicações reforçam o padrão de ataque pessoal contra mulheres jornalistas, com exposição de imagem, insultos e comentários de teor sexual ou depreciativo. A tática já marcou a relação do clã Bolsonaro com a imprensa desde a campanha de 2018.
“Furo” de Bolsonaro contra Patrícia Campos Mello virou condenação
O novo ataque de Paulo Figueiredo lembra o episódio em que Jair Bolsonaro atacou Patrícia Campos Mello, repórter da Folha de S.Paulo, em 2020. Na ocasião, o então presidente disse que a jornalista “queria dar o furo a qualquer preço contra mim”, em fala com conotação sexual.
A Fórum registrou o ataque de Bolsonaro contra Patrícia Campos Mello à época. A declaração virou símbolo da violência política e de gênero contra jornalistas que cobriam o bolsonarismo.
O caso também chegou à Justiça. Em consulta pública do Tribunal de Justiça de São Paulo, o processo aparece como ação de indenização por dano moral envolvendo Jair Messias Bolsonaro e Patricia Toledo de Campos Mello. Em 2022, a 8ª Câmara de Direito Privado rejeitou o recurso de Bolsonaro e deu provimento parcial ao recurso da jornalista.
A ofensiva não ficou limitada a Jair Bolsonaro. A Fórum também mostrou que Eduardo Bolsonaro teve contas penhoradas em ação relacionada a ataques sexuais contra Patrícia Campos Mello.
Abraji já havia repudiado Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro
A nova rodada de ataques ocorre depois de a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo repudiar, em maio, a postura de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo contra jornalistas.
Na nota, a Abraji afirmou condenar “toda forma de intimidação e de desqualificação do trabalho jornalístico”, especialmente quando esse comportamento se torna sistemático e estimula uma sociedade polarizada contra a imprensa.
O contexto político também pesa. A Fórum mostrou que Paulo Figueiredo esnobou Flávio Bolsonaro após a crise provocada por declarações sobre mulheres. O senador, por sua vez, tentou se afastar do aliado e cobrou respeito a Michelle Bolsonaro.
Ao atacar jornalistas no X, Figueiredo atualiza uma marca do bolsonarismo: quando a imprensa expõe bastidores, contradições ou crises internas, a reação costuma mirar quem apura, não o fato apurado.