Alguns sociólogos marxistas já estudaram e publicaram obras sobre fenômenos sócio-políticos singulares e originais como os ocorridos no Brasil durante o governo Bolsonaro.
Exemplos destes raros fenômenos: multidões rezando pra pneu; aglomerados aos milhares clamando por intervenção de ETs com celulares apontando aos céus; acampamentos populares defronte a quartéis pedindo intervenção militar, quando o governo legítimo era o próprio aliado dos manifestantes de Bolsonaro, etc.
A chave para entender esses fenômenos dentro da tradição marxista não é tratá-los como loucura ou simples irracionalidade, mas como sintomas ideológicos e formas de consciência reificada que brotam de condições materiais e sociais específicas do capitalismo neoliberal.
A base para essa análise vem da tradição da Escola de Frankfurt e de marxistas que estudaram o fascismo. Para tanto, temos que compreender o conceito de semicultura e pseudoatividade.
O filósofo Theodor Adorno, embora não tenha vivido para ver Bolsonaro, forneceu o arsenal teórico mais preciso para decifrar as cenas brasileiras ocorridas durante o quadriênio do fascismo brasuca. Em ensaios como “Teoria da Semicultura” e “A Psicanálise dos Líderes Fascistas”, ele explica e esclarece.