Como o Flávio Bolsonaro tem o carisma de um poste sem luz, apontar as artilharias contra Alexandre de Moraes açula a militância de extrema direita bolsonarista, ávidos feito vampiros em morder e fazer sangrar Alexandre de Moraes
“Esse supremo está uma merda, não é?”. Esta frase eu recebi, como se diz na Bahia, “na caixa dos peitos” em plena garagem do prédio onde moro. Falei na hora, de bate pronto: não, não é! Na verdade, eu não concordo com essa ideia! E fui me explicar por que não concordava. Espero desenvolver para vocês, ainda mais do que desenvolvi no elevador ao meu vizinho, que é um cara “gente boa”, não bolsonarista.
Devo confessar que ouvi de duas outras pessoas, pessoas de quem gosto e admiro, nos últimos três ou quatro dias, frases que no fundo significavam a mesma coisa que a frase: “esse Supremo está uma merda”. Só então caiu a ficha para mim: “se essas pessoas, que são progressistas, que votam contra a extrema direita e os fascistas, estão achando isso do Supremo, então o trabalho que André Mendonça está fazendo dentro desse Supremo é eficiente do ponto de vista deles”.
E qual é o “trabalho de André Mendonça?”. O trabalho da extrema direita, quer seja aqui, na Argentina, nos Estados Unidos, na Hungria, ou mesmo na Europa é desacreditar as instituições. É criar caos institucional. Reparem que eles sempre falam em desrespeitar as leis, em acabar com direitos humanos, em matar, em armar a população para que façam justiça com as próprias mãos etc. A extrema direita usa a democracia, entra por suas brechas, para acabar com a própria democracia. Essa ideia foi bastante desenvolvida no livro Como as democracias morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt.
E o que faz o ministro André Mendonça? Tem procurado atuar, desde que tomou posse, para corroer a instituição Supremo Tribunal Federal. O Supremo foi destruído por golpistas no dia 8 de janeiro de 2023. André Mendonça, um ministro da instituição, não reconheceu que houve golpe e votou a favor dos golpistas, votou para não os condenar. Ele se alinhou aos golpistas, os arruaceiros ou os de terno, em todas as oportunidades que teve desde então.