No vídeo de quase três minutos enviado à convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro (PL) cita apenas uma vez o nome do enteado, com quem decretou uma trégua na guerra instalada no núcleo central do clã desde dezembro, que Jair Bolsonaro (PL) alçou o filho “01” à Presidência por uma carta suspeita escrita dentro da cela na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Após ver a madrasta quase implodir sua candidatura com um vídeo-bomba em que expõe seu caráter misógino e autoritário, Flávio Bolsonaro aceitou a humilhação imposta e pediu desculpas públicas a Michelle.
A trégua foi negociada e escrita de um lado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, e, por outro, pela governadora Celina Leão (PP-DF), que é próxima e depende de Michelle para tentar se reeleger ao cargo herdado após a saída de Ibaneis Rocha (MDB).
No tratado, Michelle aceitou ficar de fora das decisões da campanha de Flávio Bolsonaro, especialmente no Ceará, estopim da guerra com o apoio do enteado à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Estado.
Michelle também teria sinalizado que não pretende se expor publicamente ao lado do enteado, como fez na convenção do PL no último sábado (25). Na ocasião, deu como justificativa da ausência os cuidados com o marido, que não a impedem de participar de outros atos de campanha pelo país.