A Procuradoria-Geral da República autorizou Flávio a visitar Bolsonaro. O filho quer comemorar com o pai a vitória no primeiro turno, ouvir conselhos e fazer comunicações pontuais. A visita depende agora de decisão de Alexandre de Moraes, que deve liberar o encontro.
O que é estranho nessa situação? Um pai preso em casa por desrespeitar a democracia, o adversário vitorioso e a decisão do povo vai receber o filho que sai na frente na eleição por desfrutar das liberdades da democracia e se beneficiar do voto e das decisões do mesmo povo que o homem preso desrespeitou.
Quatro anos depois da tentativa de golpe, o filho leva ao pai golpista o sentimento de que pode chegar ao poder de onde o pai saiu sem admitir a derrota. O filho do pai que não respeita a democracia recorre ao Judiciário para fazer a visita e dispor de concessões da democracia administradas pelo Judiciário que o pai sempre afrontou.
É assim que funciona a democracia e é assim que o fascismo pode voltar a governar o Brasil. O filho irá dizer ao pai que anunciou publicamente sua decisão de assumir e enviar logo ao Congresso propostas de mudanças na Constituição. Para, disse ele em encontro com Ronaldo Caiado em Goiás, “redemocratizar o país”. Também dirá que decidiu orientar sua turma no Congresso a sabotar o fim da escala 6 por 1.
Porque os trabalhadores, como irá explicar ao pai, devem ter a liberdade de acertar com o patrão quantas horas desejam trabalhar. É como se a Chapecoense pudesse combinar com o Flamengo quantos gols pode fazer e sofrer.