A liberdade sindical, a autonomia das organizações de trabalhadores e a participação política de estudantes estão no centro de uma disputa judicial envolvendo a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e o Partido Novo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em decisão publicada nesta quinta-feira (15), o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, analisou pedidos relacionados à atuação de sindicatos, movimentos sociais e organizações estudantis durante a campanha presidencial.
Em nota publicada nas redes sociais nesta quinta-feira (15), o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) afirmou que as ações representam uma ameaça à democracia e à autonomia das organizações. “A liberdade sindical e a democracia estão em jogo. As ações movidas pela campanha de Flávio Bolsonaro e pelo Partido Novo junto ao TSE contra a chapa de Lula, entidades e dirigentes sindicais representam uma ameaça à liberdade de expressão, à autonomia sindical e ao direito de organização”, declarou o sindicato.
Diego Marques, da direção nacional do Andes-SN, também criticou as iniciativas e afirmou que elas buscam constranger a atuação política de sindicatos e estudantes. “No dia das professoras e dos professores, o presente da candidatura de Flávio Bolsonaro é uma mordaça. A candidatura dele entrou com ações contra entidades sindicais, dirigentes sindicais e contra o movimento estudantil”, declarou Marques.
O dirigente afirmou que as medidas representam uma tentativa de impedir a atuação pública das organizações. “O objetivo dele é calar o movimento sindical e o movimento estudantil e impedir que nós continuemos denunciando que o seu projeto é um projeto de destruição da educação, destruição da saúde, destruição dos serviços públicos, destruição dos direitos sociais, dos direitos trabalhistas, destruição da nossa constituição”, disse.
“Não vamos nos silenciar, não vamos permitir essa tentativa de censura. Esse é o maior ataque ao movimento sindical e ao movimento estudantil concertadamente desde o AI-5 em 1968 [Ato Institucional nº 5, início do período mais repressivo da ditadura militar no Brasil], o que só prova o que temos dito”, completou.