
A ameaça da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de deixar o PL levou lideranças do Republicanos a intensificar, nos últimos dias, a ofensiva para filiá-la ao partido. A movimentação ocorre enquanto ela é tratada como possível candidata ao Senado pelo Distrito Federal em 2026.
A articulação tem a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) como uma das principais operadoras. Ex-ministra do governo Jair Bolsonaro, Damares atua para aproximar Michelle da legenda e já defendeu publicamente que uma candidatura da ex-primeira-dama é “importante para o Brasil”.
A ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos Cristiane Britto, também filiada ao Republicanos, participa da ofensiva. As duas integram o mesmo campo político de Michelle e tentam transformar a crise no PL em uma oportunidade de avanço partidário.
Presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira afirmou que não há acordo fechado para a filiação. Ele disse, porém, que Michelle “seria muito bem-vinda” caso decida trocar de legenda. A sigla tem como um dos principais expoentes o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que foi sondado para liderar uma chapa com a ex-primeira-dama pela Presidência.

Troca de partido dependeria do calendário eleitoral
A eventual mudança de Michelle para o Republicanos só ocorreria após as eleições de outubro de 2026, quando ela deve disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. Uma filiação antes do prazo adequado poderia afetar sua capacidade de concorrer.
A legislação eleitoral exige filiação partidária mínima de seis meses para que um candidato dispute uma eleição. Por isso, qualquer movimento de Michelle precisa considerar o calendário legal e o prazo de registro da candidatura.
Michelle segue filiada ao PL, partido comandado por Valdemar Costa Neto. A possibilidade de saída surgiu após atritos internos e abriu espaço para que o Republicanos tentasse atraí-la sem anunciar uma negociação formal.
A crise também mobilizou aliados próximos da ex-primeira-dama. Damares e Celina Leão atuaram para demovê-la da ideia de se desfiliar do PL, enquanto o Republicanos mantém a sinalização pública de que receberia Michelle caso ela decida mudar de partido.