Em texto coletivo, mídias independentes apontam os riscos à democracia, caso Flávio seja eleito. Dados mostram a explosão de casos de violência contra jornalistas no governo Bolsonaro. Defender a profissão é crucial para o direito à informação e o futuro do Brasil
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A sociedade brasileira não pode pagar pra ver. E o jornalismo brasileiro não pode vacilar: é hora de adotar uma posição clara em defesa da democracia e contra o autoritarismo. Trata-se de uma situação que já vivemos antes. Em 2018, muitos acreditaram na ilusão de que o status quo político acabaria por moderar Jair Bolsonaro. Hoje, podemos afirmar com toda a certeza: foi o bolsonarismo que radicalizou o status quo.
O governo de Jair Bolsonaro apresentou sinais documentados de ataques à democracia: investidas contra a credibilidade das eleições, hostilidade à imprensa, uso político das Forças Armadas e tolerância a manifestações antidemocráticas, contestação da alternância de poder e confronto aberto com o Judiciário. O fato de as instituições terem resistido não significa que esses sinais não existiram e nem indica ausência de gravidade. Significa que os mecanismos de contenção funcionaram.
Não há nenhuma razão no horizonte para crer que seu filho teria uma relação melhor com o jornalismo e a democracia. O fato de não ser tão verborrágico e agressivo quanto o pai não faz com que seus atos se tornem menos graves. A promessa primordial de Flávio Bolsonaro é a libertação de Jair e a anulação do julgamento por tentativa de abolir o Estado democrático. Soma-se a isso a ameaça declarada de mudanças na Constituição.