Flávio Bolsonaro e o pai podem ser comparados pelos ataques às urnas eletrônicas em encontros com embaixadores? Podem, mas as situações não são as mesmas e os desfechos também não podem ser.
Não é conversa de jurista. É o que informam os fatos, mesmo que a maioria tenha esquecido um detalhe importante: Bolsonaro não sofreu a primeira punição, que o tornou inelegível, por ter atacado as urnas.
Foi condenado pelo TSE por ter usado, em julho de 2022, a estrutura do Palácio da Alvorada para um ato eleitoral. Foi condenado, já em 2023, por abuso de poder político e pelo uso indevido da comunicação do governo naquele evento com os embaixadores.
Ficou inelegível até 2030. Bolsonaro foi punido por desrespeitar as regras da eleição, e não por crime contra as urnas e o sistema eleitoral. Foi um delito na área eleitoral, e não criminal.
Por que é diferente da situação de Flávio? Porque Flávio não usou nenhuma estrutura de governo, e sim foi a um evento privado com diplomatas. Podem dizer, e anunciam que dirão em ação na justiça eleitoral, que ele fez campanha antecipada, reunindo embaixadores para atacar as urnas.