A crise no núcleo bolsonarista ganhou mais um capítulo curioso. Depois de Alexandre de Moraes restringir as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, em razão do uso político que teria sido feito desses encontros, surgiu uma narrativa que parece dizer muito mais pelo subtexto do que pelo conteúdo.
Segundo relato feito pelo advogado João Henrique de Freitas após visitar Jair Bolsonaro, o ex-presidente teria iniciado uma conversa perguntando sobre a diferença entre ângulos complementares, suplementares e explementares na trigonometria. A história, por si só, já chama atenção pelo contraste entre o conteúdo técnico e o perfil público de Bolsonaro.
A impressão é que alguém quis transmitir um recado sem fazê-lo de forma direta. A alegoria da trigonometria parece funcionar como um apelo para que os diferentes grupos do bolsonarismo encontrem um ponto de convergência em meio ao agravamento das disputas internas.
Esse contexto ganha ainda mais relevância diante da crise envolvendo Flávio Bolsonaro. A restrição imposta por Moraes às visitas ao ex-presidente ocorre depois que um encontro teria sido utilizado para divulgar uma carta de apoio político ao senador.
Ao mesmo tempo, continuam circulando relatos de bastidores sobre divergências envolvendo Michelle Bolsonaro, disputas por espaço político e questionamentos relacionados ao caso Dark Horse. Independentemente da confirmação dessas versões, o fato é que a sucessão de conflitos revela um ambiente de crescente fragmentação.