- Nesta semana, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) foi ironizado por Paulo Figueiredo, neto de ex‑ditador, nas redes sociais.
- Paulo Figueiredo acusa Nikolas de não apoiar a pré‑campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
- Nikolas respondeu defendendo a viagem de Flávio aos EUA para pedir a Donald Trump que adie tarifas e sanções ao Brasil.
- O episódio ocorreu em meio a críticas ao governo Lula por emitir dívida em yuan e gerou alvo de radicais bolsonaristas.
A rusga entre o deputado federal de extrema direita Nikolas Ferreira (PL) e o neto de ditador Paulo Figueiredo é antiga. Nesta semana, no entanto, a temperatura subiu entre os dois e seus respectivos apoiadores. A principal queixa de Figueiredo é que Nikolas não se envolve na pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Nikolas, finalmente, fez uma postagem defendendo a canhestra ida de Flávio aos EUA pedir que o governo de Donald Trump adie o tarifaço e as sanções contra o Brasil para depois das eleições. O objetivo do filho de Bolsonaro é não ter a sua campanha prejudicada.
“Enquanto o governo Lula decide emitir dívida em moeda chinesa justamente em meio às negociações das tarifas com os EUA, Flávio Bolsonaro foi aos Estados Unidos pessoalmente defender os interesses do Brasil”, afirmou Nikolas. “No fim, quem diz que defende o Brasil e a soberania nacional ficou de fora da mesa de negociação”, encerrou.
Paulo Figueiredo compartilhou a mensagem com uma observação irônica: “fico muito feliz em retuitar.” A mensagem de Nikolas ficou carregada de críticas de bolsonaristas.
Briga antiga
A relação entre Nikolas e Figueiredo atravessa um período de forte desgaste e se tornou um dos principais focos de tensão no campo bolsonarista. Embora os atritos entre os dois não sejam recentes, o conflito ganhou intensidade no início de 2026, quando as críticas passaram a ser feitas de forma pública e com ataques pessoais.
Em fevereiro deste ano, Paulo Figueiredo direcionou uma série de publicações ao parlamentar mineiro, acusando-o de buscar protagonismo político acima dos interesses do movimento conservador. O influenciador afirmou que Nikolas estaria movido por “narcisismo” e criticou o que classificou como excesso de preocupação com a própria imagem.
As críticas também atingiram a atuação política do deputado. Segundo Figueiredo, Nikolas não apresentaria um projeto consistente para o país e concentraria sua atuação em pautas ligadas à chamada guerra cultural. Em uma das declarações mais contundentes, o influenciador chegou a comparar o comportamento político do parlamentar ao de um “psicopata”, ampliando a repercussão do embate nas redes sociais.
Postura mais firme
O desgaste, entretanto, já vinha sendo construído desde 2025. Naquele período, Paulo Figueiredo cobrava publicamente que Nikolas adotasse uma postura mais firme em apoio às agendas internacionais defendidas pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, aliado próximo do influenciador.
As divergências se aprofundaram em março de 2026, quando Nikolas publicou mensagens sugerindo ter sido alvo de traição por integrantes do próprio campo conservador, apesar dos apelos do ex-presidente Jair Bolsonaro pela pacificação interna. Nos bastidores, uma das suspeitas levantadas era de que Paulo Figueiredo estaria entre os responsáveis pelo vazamento de informações que desagradaram ao deputado.
O episódio contrasta com o papel desempenhado pelo influenciador meses antes. Em agosto de 2025, Figueiredo havia atuado para aproximar Nikolas e Eduardo Bolsonaro após desentendimentos entre os dois, intermediando uma conversa que resultou em uma breve trégua. A reconciliação, contudo, durou pouco e acabou sendo substituída por uma nova escalada de críticas e acusações públicas.