
O Comando do Batalhão de Polícia do Exército em Brasília informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que entregou à Polícia Federal as armas de Jair Bolsonaro (PL) que estavam sob sua guarda, mas negou estar com duas das oito armas que, segundo a defesa do ex-presidente, estariam no batalhão. A resposta abriu uma nova confusão sobre a localização do arsenal registrado em nome de Bolsonaro.
A manifestação foi enviada após determinação do ministro Alexandre de Moraes, que mandou recolher as armas vinculadas ao ex-presidente e levá-las à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. A ordem teve como base uma informação prestada pela defesa de Bolsonaro, que havia dito ao STF que oito armas estavam armazenadas no Batalhão de Polícia do Exército.
Ao cumprir a ordem de Alexandre de Moraes, o Exército entregou seis armas de Jair Bolsonaro à Polícia Federal. A lista inclui pistolas, uma carabina/fuzil e uma espingarda, todas relacionadas pela defesa como parte do armamento que estaria sob guarda do Batalhão de Polícia do Exército em Brasília.
Duas armas, porém, ficaram fora da entrega: uma pistola Glock 9×19 mm Parabellum e uma espingarda Maestro Arms Company calibre 12. Segundo o comandante do batalhão, elas não estavam armazenadas no complexo militar, embora tenham sido apontadas pelos advogados de Bolsonaro como integrantes do conjunto sob custódia do Exército.

No caso da Glock, há um elemento adicional: o número de série é o mesmo da arma de Jair Bolsonaro apreendida em junho durante uma blitz em Taguatinga, no Distrito Federal, com o sargento do Exército Estácio Leite da Silva Filho, que atua na segurança do ex-presidente. O militar foi abordado em um veículo oficial e, segundo a polícia, não tinha autorização do proprietário para transitar com o armamento nem cumpria as exigências legais.
A defesa de Bolsonaro reconheceu que o ex-presidente pediu ajuda a um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para verificar a arma. Segundo os advogados, a pistola apresentava problema no funcionamento. Em documento enviado ao STF, a defesa afirmou ainda que a própria equipe de segurança havia deixado a arma inoperante para evitar riscos diante das condições de saúde de Bolsonaro. Estácio foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo, com agravante por ser sargento do Exército.
A outra arma não localizada pelo Exército, a espingarda Maestro Arms Company, teria outro destino. Após a resposta do batalhão, a defesa de Bolsonaro disse ter feito nova verificação e afirmou que o armamento está em uma importadora de artigos bélicos no Rio Grande do Sul. Segundo os advogados, a espingarda teria sido um presente ao ex-presidente e nunca chegou a ser retirada da empresa. A defesa pediu que Moraes indique as providências para a entrega.
A decisão de Moraes também determinou a revogação do registro de CAC de Bolsonaro, sigla para colecionador, atirador desportivo e caçador. O ministro seguiu parecer da Procuradoria-Geral da República, que não viu falta grave do ex-presidente no episódio da pistola apreendida na blitz, mas manteve as cautelares e advertiu que qualquer descumprimento das regras da prisão domiciliar poderá levar ao retorno imediato ao regime fechado.
A nova resposta do Exército desloca o centro do caso: não se trata apenas da entrega de armas à PF, mas da inconsistência entre o que a defesa informou ao STF e o que o batalhão disse ter sob sua guarda. A negativa sobre a Glock e a espingarda obrigou os advogados de Bolsonaro a corrigirem a localização de parte do arsenal e ampliou o desgaste em torno das armas registradas em nome do ex-presidente.