A miséria voltou a crescer na Argentina durante o governo de Javier Milei, modelo e referência para Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência do Brasil. No primeiro semestre de 2026, a pobreza atingiu 32,3% da população, ante 28,2% no semestre anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
O índice corresponde a aproximadamente 9,7 milhões de pessoas nos 31 aglomerados urbanos pesquisados. A extrema pobreza também aumentou, de 6,3% para 7,5%.
Os números provam que a desaceleração da inflação não se traduziu, necessariamente, em melhoria das condições de vida da população. Reportagens publicadas em veículos argentinos relatam aumento da procura por refeições e cestas básicas, além de famílias que recorrem a empréstimos e trocas de produtos para garantir a alimentação. Boa parte da população passou a se alimentar de carne de burro.
Em Río Cuarto, na província de Córdoba, a distribuição de refeições em cozinhas comunitárias quadruplicou, segundo o jornal Página/12. O atendimento, antes concentrado em grupos mais vulneráveis, passou a incluir famílias inteiras, aposentados e pessoas de segmentos da classe média. Na diocese de Rosário, a Cáritas distribui cerca de 20 mil cestas básicas por mês.
Aposentados e crianças entre os afetados