- Deputada Jack Rocha, com apoio de 12 colegas, protocolou à PGR representação contra Paulo Figueiredo por declarações que desqualificam o voto feminino.
- O pedido inclui instauração de investigação pela Procuradoria‑Geral Eleitoral, preservação de provas digitais e ofícios às plataformas para identificar alcance e monetização das publicações.
- A denúncia também requer apuração de possível envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) e comunicação do caso ao Tribunal Superior Eleitoral.
- A Bancada Feminina da Câmara respondeu, ressaltando que as mulheres correspondem a 52 % do eleitorado (cerca de 81 milhões) e que tais falas configuram violência política de gênero.
A deputada Jack Rocha (PT-ES), líder da Bancada Feminina na Câmara, acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR), nesta quarta-feira (8), contra o youtuber bolsobarista Paulo Figueiredo, após ele publicar vídeo e postagens nas redes sociais afirmando que mulheres “não sabem votar”.
A representação, assinada por outras 12 deputadas, pede instauração de procedimento investigatório, preservação de provas digitais e apuração sobre possível envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disseminação do discurso.
A polêmica teve início no fim de junho, quando Figueiredo publicou um vídeo no YouTube sustentando que as mulheres “não sabem votar”. Dias depois, em vez de recuar, o influenciador reforçou a posição em postagem nas redes sociais: “Deixa eu me retratar: mulher não vota muito mal, mulher vota mal para caralh*. Especialmente as solteiras”. A escalada das declarações misóginas transformou o episódio em caso político de repercussão nacional.
A resposta institucional veio da Bancada Feminina da Câmara. Jack Rocha protocolou a representação junto à PGR afirmando que as falas de Figueiredo configuram tentativa de desqualificar a autonomia política das mulheres e de relativizar o sufrágio universal garantido pela Constituição de 1988. O documento ressalta que as mulheres representam cerca de 52% do eleitorado brasileiro, somando mais de 81 milhões de eleitoras, e que nenhuma delas pode “ser tratada como eleitora de segunda classe ou como mera extensão da vontade do marido”, conforme trecho citado na representação.
O que as deputadas exigem
A representação encaminhada à PGR é abrangente e vai além da simples condenação retórica das falas. As 13 deputadas signatárias pedem a instauração imediata de procedimento investigatório pela Procuradoria-Geral Eleitoral, a preservação de provas digitais como vídeos, postagens e metadados, e o envio de ofícios às plataformas para identificar alcance, monetização e eventual coordenação das publicações.
O documento solicita, ainda, que o caso seja comunicado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para adoção de medidas contra propaganda discriminatória e violência política de gênero.
Segundo a parlamentar, discursos que depreciam a condição política das mulheres, especialmente quando amplificados por influenciadores digitais em contexto eleitoral, contribuem para um ambiente de hostilidade e exclusão das mulheres da vida pública. Na avaliação das deputadas, as declarações de Figueiredo não são apenas ofensivas: configuram violência política de gênero e propaganda discriminatória, categorias com consequências jurídicas específicas no ordenamento eleitoral brasileiro.
O fio que leva a Flávio Bolsonaro
A representação não se limita a Paulo Figueiredo. As deputadas pedem à PGR que investigue a possível participação do senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), no discurso do youtuber, dado que Figueiredo é aliado público do parlamentar.
O documento solicita, ainda, a apuração do conteúdo, autoria, financiamento e utilização política das ações, sem detalhar publicamente a natureza do material, mas indicando suspeita de articulação entre influenciadores, estruturas partidárias e redes de disseminação de conteúdo.