A visita do presidente da Argentina, Javier Milei, ao Brasil neste fim de semana está longe de ser um gesto de cortesia diplomática. O argentino desembarca em São Paulo para participar da convenção nacional do PL e subir ao palanque de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), numa tentativa de fortalecer uma candidatura que busca desesperadamente respaldo internacional.
Na prática, trata-se de um abraço entre dois líderes da extrema direita que enfrentam dificuldades políticas e cuja aposta é transformar afinidades ideológicas em capital eleitoral.
Convidado para discursar no evento que marcará o lançamento oficial da campanha presidencial de Flávio, Milei será usado pelo PL como vitrine internacional. A legenda aposta que a imagem do presidente argentino ao lado do senador reforçará a narrativa de que a direita latino-americana estaria unificada em torno de um mesmo projeto político. O problema é que a estratégia pode produzir efeito contrário: Milei atravessa um período de forte desgaste na Argentina, com sucessivas críticas à sua política econômica, aumento da pobreza, queda do consumo e protestos contra os cortes promovidos por seu governo.
A visita também evidencia a tentativa de Flávio Bolsonaro de compensar sua fragilidade política interna exibindo proximidade com líderes da extrema direita estrangeira. Depois de posar ao lado de Donald Trump na Casa Branca, o senador agora aposta na imagem de Milei para vender a ideia de que possui influência internacional. Em vez de apresentar propostas para os problemas brasileiros, a campanha investe em fotografias, discursos ideológicos e demonstrações de alinhamento com figuras que dividem opiniões até em seus próprios países.
Além da participação na convenção do PL, Milei terá uma agenda política em São Paulo voltada exclusivamente para fortalecer sua relação com lideranças da direita brasileira. Entre os compromissos está um encontro com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).