O presidente da Argentina, Javier Milei, usou suas redes sociais para compartilhar nesta quinta-feira (06), uma nota de repúdio emitida pelo senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O documento critica duramente a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de rebaixar as relações diplomáticas entre o Brasil e o país vizinho.
A crise escalou após Milei disparar ofensas diretas contra Lula durante a convenção do Partido Liberal em São Paulo. No evento, o mandatário argentino chamou o petista de “presidiário”, “ladrão” e “corrupto”, além de tecer duras críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, após ser impedido de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Como resposta institucional às ofensas, o Palácio do Itamaraty ordenou a permanência por tempo indeterminado do embaixador brasileiro em Buenos Aires, reduzindo o nível formal de representação no país vizinho.
Na nota compartilhada por Milei, Flávio Bolsonaro argumenta que o estremecimento “não era inevitável” e culpa a “política externa ideologizada e confrontacional” do governo Lula. O senador brasileiro defendeu que as falas de Milei foram uma reação de “reciprocidade” a supostas interferências anteriores da esquerda brasileira na política interna da Argentina.
A postura de Milei aprofundou a divisão política na Argentina. O alinhamento com a direita brasileira provocou reação contundente da oposição local. Um grupo composto por mais de 30 deputados e prefeitos argentinos assinou um documento formal de repúdio contra as declarações do próprio presidente, alertando para os graves prejuízos econômicos e comerciais que o embate pode causar à aliança histórica entre as duas maiores economias da América do Sul.