- Michelle Bolsonaro (PL) lançou o movimento “Imparáveis” nas redes sociais, anunciando-o pelo perfil Imparaveis.mb em parceria com a página do PL Mulher.
- O grupo surge após sua remoção do comando nacional do PL e a extinção da presidência do PL Mulher, cargos criados a pedido de Jair Bolsonaro.
- O objetivo, segundo a própria Michelle, é confrontar o enteado Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), que tenta se reaproximar para garantir votos femininos.
- O nome “Imparáveis” foi inspirado na música “Unstoppable” da cantora australiana Sai e o anúncio inclui vídeo com a Mulher Maravilha.
Após ser enxotada do comando nacional e a extinção da presidência do PL Mulher, cargo que era ocupado no movimento criado por ela a pedido de Jair Bolsonaro (PL), Michelle Bolsonaro (PL) enviou novo recado nas redes e está criando o movimento “imparáveis” para confrontar o enteado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que busca desesperadamente uma reaproximação com a madrasta para evitar a fuga dos votos femininos.
A FÓRUM ANTECIPOU:
Michellismo: Michelle cria movimento fundamentalista com Bolsonaro na prisão e mira o Planalto
“Dom abre portas, mas a mesa revela o caráter”, alfinetou Michelle, compartilhando publicação sobre o livro “A Paz do Diabo”, em que “Charles Spurgeon revela, com profundidade bíblica e linguagem direta, como o inimigo age de forma silenciosa, oferecendo descanso falso enquanto destrói a alma aos poucos”.
Em meio aos recados, Michelle teria aberto as portas do movimento “imparáveis”, movimento que marca definitivamente a criação do Michellismo, com a ex-primeira-dama deixando o guarda-chuva do bolsonarismo, criado pelo marido e herdado pelos enteados desafetos.
Segundo Jussara Soares, na CNN Brasil, o projeto tem origem em uma hit pop e “quer dar continuidade ao trabalho da ex-primeira-dama no PL Mulher e funcionar como uma espécie de comunidade de fãs”.
A música “Unstoppable”, da cantora australiana Sai, teria sido a inspiração para o nome do movimento e descreve Michelle e suas aliadas como “incontroláveis, um Porsche sem freios”.
“Eu coloco minha armadura, vou te mostrar que sou. Sou incontrolável, sou um Porsche sem freios. Sou invencível, sim, eu ganho todos os jogos. Sou tão poderosa, não preciso de baterias para jogar. Sou tão confiante, sim, estou incontrolável hoje”, diz a tradução da música que cita ainda o termo usado pelo marido para definir Michelle: “incontrolável”.
O anúncio da criação do movimento se deu pelo perfil “Imparaveis.mb” – de Michelle Bolsonaro – em collab com a página do PL Mulher.
“Em meio as dificuldades, é preciso coragem para avançar. Mulheres e Homens de Bem jamais desistem de lutar por justiça e liberdade. Para seguir adiante, é preciso ser IMPARÁVEL”, diz a publicação, que usa um vídeo da heroína Mulher Maravilha.
Junto às imagens, a heroína se protege dos “mentirosos” e das “metralhadoras de mentiras” e diz que “a tropa do bem” vai avançar “vencendo as mentiras”.
A ênfase é justamente na mentira, para atingir mulheres e evangélicos que foram impactados pelos vários recuos de Flávio Bolsonaro ao mentir sobre o elo com Daniel Vorcaro.
Desespero
Em uma demonstração do desespero em meio ao derretimento nas pesquisas, Flávio Bolsonaro praticamente implorou de forma pública, nesta quinta-feira (9), pelo apoio da madrasta, Michelle Bolsonaro.
“Eu estou sempre aberto aqui a conversar, sempre esperando o tempo que ela achar que é o suficiente para estar com a gente na campanha, vestindo a camisa, porque eu tenho certeza que a Michelle pensa igual a mim”, declarou Flávio, visivelmente acuado pela força política da madrasta.
“Tem que estar todo mundo junto para combater esse inimigo do Brasil que é o atual governo”, completou, recorrendo ao tradicional discurso de união externa contra o PT e Lula para tentar mascarar a humilhação interna.
Ceará
Flávio Bolsonaro retorna nesta sexta-feira (10) ao Ceará, a origem mais direta da briga. Michelle se opôs à aliança do PL com Ciro Gomes, hoje no PSDB, e defendeu outro caminho para a direita no estado. O conflito começou ainda em 2025, quando a ex-primeira-dama criticou a aproximação com Ciro e foi rebatida por Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro.
Naquele momento, Jair Bolsonaro não contestou Michelle e Flávio precisou recuar na guerra interna, em Bolsonaro não contesta Michelle e Flávio recua em guerra no clã: “não teve apoio ao Ciro”.
A trégua durou pouco. Em março, Michelle retomou os ataques à tentativa de aliança com Ciro e chamou o jogo político de “sujo”, como mostrou a reportagem Michelle retoma ataques a Flávio Bolsonaro por aliança com Ciro Gomes: “o jogo é sujo”.
Em abril, Flávio fechou a aliança do PL com Ciro no Ceará, contrariando a madrasta. O desdobramento está em Flávio Bolsonaro trai madrasta Michelle e fecha aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará.
Na reta mais recente da crise, Ciro Gomes soltou a mão de Flávio Bolsonaro após o impasse com Michelle. Depois, a própria Michelle tripudiou dos enteados quando Ciro decretou o fim dos “acordos espúrios”, como mostrou a Fórum em Michelle tripudia sobre Flávio Bolsonaro e enteados após Ciro Gomes decretar fim de “acordos espúrios”.
Eduardo Bolsonaro, porém, entrou na briga para provocar Michelle e confirmar a aliança com Ciro. A Fórum mostrou que ele atrelou o apoio no Ceará à necessidade de voto para aprovar a anistia a Jair Bolsonaro, em Eduardo Bolsonaro provoca Michelle e confirma aliança com Ciro Gomes: “não se faz política com o fígado”.