- Michelle Bolsonaro divulgou vídeo atacando Flávio Bolsonaro e o acusando de misoginia.
- Segundo a jornalista Andreia Sadi (GloboNews), a produção contou com apoio da equipe do deputado Nikolas Ferreira (PL‑MG).
- Após a publicação, Michelle deixou a presidência do PL Mulher e se retirou do debate sobre a disputa do Palácio do Planalto.
- A controvérsia pode inviabilizar sua candidatura ao Senado por Brasília e intensificar a tensão na família Bolsonaro.
Desde que publicou o vídeo em que dispara ataques contra Flávio Bolsonaro(PL-RJ) e o acusa de ataques misóginos, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi obrigada a deixar a Presidência do PL Mulher e se retirar do debate público sobre a disputa pelo Palácio do Planalto.
Além disso, uma possível candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado por Brasília também pode não acontecer como consequência direta do vídeo contra Flávio, o filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Porém, o contexto de produção do vídeo de Michelle contra Flávio Bolsonaro ganhou mais um tempero nesta terça-feira (7), o que deve deixar o clima na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda mais tenso.
De acordo com informações da jornalista Andreia Sadi, da GloboNews, Michelle Bolsonaro contou com ajuda da equipe do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) para roteirizar e produzir o vídeo contra Flávio Bolsonaro:
“A Michelle tem um plano […] quem está acompanhando de perto diz que gente que trabalha com o Nikolas [Ferreira], ou que trabalhou com Nikolas e conhece como ele faz os vídeos dele, ajudou Michelle a fazer aquele vídeo, que de amador não tem nada. Totalmente roteirizado, totalmente contextualizado […] achar que ela está fazendo algo meio kamikaze, não é.”
Jogo de cena? Nikolas Ferreira declara apoio a Flávio Bolsonaro
O deputado federal Nikolas Ferreira(PL-MG) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dividiram o palco nesta sexta-feira (3) no 3º Seminário Nacional de Comunicação do PL, no Rio de Janeiro, onde Nikolas declarou apoio explícito à pré-candidatura presidencial de Flávio.
O movimento de Nikolas encerra semanas de omissão calculad a do deputado diante do racha familiar entre o senador e Michelle Bolsonaro, e sinaliza uma tentativa coordenada de recompor a coesão bolsonarista antes das eleições de 2026.
O recado de Nikolas foi direto. “A gente tem uma missão muito séria. A gente não pode perder nosso foco. Para mim, o mais importante, pro Flávio, a princípio, é deixar de lado qualquer coisa que nos tire o foco daquilo que é essencial neste momento, que é tirar o PT. Nós já vencemos uma vez, venceremos mais uma vez”, afirmou.
Flávio, por sua vez, apresentou Nikolas ao público como “irmão” e como uma jovem liderança do PL, reforçando a narrativa de unidade que o seminário buscava projetar.
Flávio tenta superar momento de crise
Antes da entrada de Nikolas, Flávio Bolsonaro já havia dado o tom do evento com um discurso de abertura de cinco minutos. “Isso aqui é projeto de Deus. Se não acreditasse nisso, jamais teria aceitado essa missão. Estou aqui mais forte que nunca e com a cabeça erguida para disputar a Presidência”, declarou.
As pautas apresentadas giraram em torno de segurança pública: prometeu “tratar bandido como bandido”, classificar o PCC como terrorismo e “deixar preso agressor de mulher”, disse.
A presença de nomes femininos do partido no palco não foi casual. As deputadas Bia Kicis (DF) e Chris Tonietto, presidente do PL Mulher no Rio, estiveram ao lado do senador em um gesto que integra a estratégia da pré-campanha de posicionar uma mulher como vice na chapa.
Flávio também anunciou que viajará aos Estados Unidos na semana seguinte para participar de audiência pública em Washington sobre a investigação que propôs sobretaxas a produtos brasileiros. “Vou lá defender o nosso Pix, já que o atual governo está se lixando para as empresas brasileiras”, disse, referindo-se ao sistema de pagamentos criado pelo Banco Central em 2020 durante o governo Jair Bolsonaro.
Recalculando rota
A cena de harmonia no palco contrasta com o momento mais agudo de turbulência interna do bolsonarismo. Na semana anterior ao seminário, Michelle Bolsonaro publicou um vídeo em que acusou Flávio de tê-la “maltratado e humilhado” e revelou que os dois não se falam desde o fim de 2025.
Nikolas Ferreira, aliado próximo de Michelle, havia evitado tomar partido publicamente, dizendo respeitar os dois lados e não querer “ampliar a repercussão da crise”. A postura rendeu cobranças crescentes de alas do bolsonarismo.
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