A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disse a jornalistas, nesta sexta-feira (31), que está em conversas com o marido para definir sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal em 2026. “Estou conversando com ele, mas a gente deve definir até amanhã [sábado]. Aí devo me pronunciar na convenção. Mas estou cuidando dele, prioridade”, declarou, após reunião com Valdemar Costa Neto em uma doceria próxima ao condomínio onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.
A declaração de Valdemar foi ainda mais direta sobre quem manda na decisão. “Quem vai decidir é o Bolsonaro, sobre se ela sai como candidata ou não”, afirmou o presidente do PL ao sair do encontro com Michelle, acrescentando que ela “tem que cuidar do marido” e que “é muito difícil fazer campanha” nessa situação. A formulação de Valdemar não deixa margem para ambiguidade: a ex-primeira-dama, figura pública com agenda própria e trajetória política consolidada, subordina formalmente sua decisão eleitoral ao marido preso em casa.
Michelle Bolsonaro foi explícita ao descrever sua situação: “Estou limitada também. Estou com meu marido e isso me impossibilita de fazer campanha. Tudo o que faço, gosto de fazer bem-feito”.
A justificativa, apresentada como razão pessoal, carrega peso político evidente, com a ex-primeira-dama atuando como uma espécie de “escudo eleitoral” do clã.
Ao colocar os cuidados com Bolsonaro como condicionante de uma candidatura ao Senado, Michelle constrói uma narrativa em que a dedicação ao marido e o engajamento eleitoral se confundem, tornando a própria campanha uma extensão do apoio ao ex-presidente.