Mensagens trocadas por funcionários da Meta, dona do Instagram, do Facebook e do WhatsApp, mostram que a própria empresa reconheceu internamente que as contas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram prejudicadas por restrições nas plataformas durante a campanha. As conversas, obtidas pela Folha de S.Paulo e reveladas nesta sexta-feira (16), também registram que o perfil do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno, foi recomendado pelo algoritmo do Instagram e apareceu em buscas no WhatsApp, prática proibida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Oficialmente, a Meta atribuiu o problema a uma falha técnica no gerenciador de anúncios da plataforma. As mensagens mostram que engenheiros nos Estados Unidos foram acionados, mas levaram horas para resolver. Os próprios funcionários reclamaram da demora e avaliaram que a equipe estadunidense talvez não tivesse entendido a urgência de um caso envolvendo a conta de anúncios do presidente da República em plena campanha. Eles relatam ter pedido que o caso fosse classificado como SEV2, nível reservado a problemas graves que exigem solução imediata.
Nas conversas, uma funcionária menciona a necessidade de combinar como a empresa se explicaria aos integrantes da campanha de Lula, que cobravam respostas. Outro funcionário relata que deputados engajados na campanha pediam satisfações.
A primeira justificativa da empresa foi um data outage, uma interrupção global de dados que teria atingido mais de 3 mil contas em 7 de outubro, inclusive uma tentativa de impulsionamento da campanha de Flávio Bolsonaro. As próprias mensagens internas, porém, indicam que essa pane durou cinco horas e ocorreu dois dias antes. No caso de Lula, o bloqueio aconteceu no dia 9 e se estendeu por quase um dia inteiro.
Em uma das mensagens, um funcionário afirma que a conta de Lula estava “limitada” na comparação com a de Flávio Bolsonaro e avalia que a situação era ruim porque havia grande chance de o caso ir parar na Justiça.