Mensagens internas da Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, revelam que funcionários reconheceram restrições que prejudicaram a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto o perfil de Flávio Bolsonaro (PL) era recomendado indevidamente pelos sistemas da plataforma. Os registros expõem problemas no funcionamento das ferramentas eleitorais em pleno segundo turno da disputa presidencial.
As conversas foram obtidas pela jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, em reportagem publicada nesta sexta-feira (16). Em uma das mensagens, um funcionário reconhece que a conta de Lula estava “limitada” em comparação à de Flávio e demonstra preocupação com a possibilidade de uma ação judicial contra a empresa.
O caso mais grave ocorreu em 9 de outubro, quando a campanha de Lula ficou impedida de impulsionar publicações já existentes no feed do Instagram durante quase 24 horas. Segundo estimativa da equipe do presidente, a restrição impediu que aproximadamente 1,3 milhão de pessoas fossem alcançadas pelos anúncios.
Enquanto isso, o perfil de Flávio Bolsonaro aparecia em recomendações de busca no Instagram, embora as regras eleitorais proíbam esse tipo de promoção algorítmica de candidatos. Funcionários da própria Meta reconheceram internamente que a recomendação não deveria estar acontecendo.
As mensagens mostram que o problema na conta de Lula chegou aos engenheiros da Meta nos Estados Unidos, mas demorou horas para ser solucionado. Funcionários brasileiros manifestaram preocupação com a falta de urgência diante de uma falha que atingia a campanha do presidente da República.