(Folhapress) -A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) avalia que, com maioria de direita e uma crescente bancada do agronegócio, a próxima legislatura do Congresso Nacional levará adiante uma pauta de retrocessos ambientais, sobretudo caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito para o Palácio do Planalto.
“É um cenário altamente preocupante”, disse ela à reportagem. “Tanto pelo risco de que marcos regulatórios possam ser todos demolidos, como aconteceu na Argentina, quanto pela postura subserviente e entreguista aos interesses de Donald Trump, ainda mais em um eventual governo Bolsonaro. Isso vai atrapalhar os interesses econômicos, sociais, ambientais do Brasil.”
Marina não conseguiu se eleger para uma cadeira do Senado por São Paulo. Ficou em quarto lugar. No estado, dois candidatos da direita foram eleitos, André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), deixando para trás a também ex-ministra de Lula (PT) Simone Tebet (PSB).
De volta ao cargo de deputada federal, Marina Silva afirma que, mesmo na atual legislatura, uma série de matérias aprovadas no Legislativo nos últimos quatro anos representou retrocessos: a demolição, nas próprias palavras, do licenciamento ambiental, restrições à fiscalização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) contra crimes ambientais e a redução de áreas de preservação e terras indígenas.
A lei que flexibiliza e simplifica o licenciamento ambiental foi aprovada em 2025. Como revelou a Folha, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), atuou para criar a LAE (Licença Ambiental Especial), categoria na qual projetos escolhidos pelo governo federal por critérios políticos passam a ter análise prioritária, de no máximo um ano, independentemente de seu impacto.