“MANSãO DE RICHARLISON”: ADVOGADA APAGA VíDEO E SE “RETRATA” EM NOTA DISTRIBUíDA POR ESCRITóRIO DE AMIGO DE FLáVIO BOLSONARO
“Mansão de Richarlison”: advogada apaga vídeo e se “retrata” em nota distribuída por escritório de amigo de Flávio Bolsonaro
Jogador Richarlison fez comentário em vídeo de advogada imobiliária que fala sobre disputa contra Willer Tomaz, amigo de Flávio, sobre mansão em ilha em Angra dos Reis. "Gastei em torno de 10 milhões lá. E simplesmente me tomaram".
Por: Plínio Teodoro Publicado: 02/07/2026 - às 10h40Atualizado: 02/07/2026 - às 10h46 | 9 min de leitura
- Ana Paula Zanut, advogada imobiliária, removeu do Instagram um vídeo com comentário de Richarlison sobre a disputa de uma mansão em ilha, Angra dos Reis.
- Em nota do escritório de Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, a advogada declarou que os vídeos foram apagados e que o processo foi encerrado em 2025, sem novas ações judiciais.
- O conteúdo havia sido repostado por Richarlison, gerando ampla repercussão nas redes sociais antes da retirada.
- A controvérsia envolve também Flávio Bolsonaro, que disputa a mesma propriedade com o jogador.
Um comentário de Richarlison de Andrade, ex-atacante da Seleção Brasileira, em vídeo no Instagram transformou a vida da advogada imobiliária Ana Paula Zanut em uma “loucura” e fez com que ela apagasse a publicação, que viralizou, e distribuísse uma “retratação pública” distribuída pelo escritório de Willer Tomaz, também advogado e amigo de longa data de Flávio Bolsonaro (PL), que entrou na disputa com o jogador por uma mansão em ilha em Angra dos Reis.
ENTENDA:Flávio Bolsonaro já cobiçou praia para chamar de sua antes de projeto de privatizaçãoFlávio Bolsonaro é testemunha em ação de amigo para tomar mansão de Richarlison em Angra
Flavio Bolsonaro e amigo sacaram R$ 1,5 milhão em caixa de cassino
Na retratação, distribuída pelo escritório de Tomaz, a advogada diz que “os vídeos foram apagados e ficam integralmente sem efeito e devem ser desconsideradas todas as afirmações, interpretações, conclusões ou explicações constantes da publicação anteriormente divulgada” –leia a íntegra ao final da reportagem.
Em outra nota, no Instagram, a advogada afirma que “o processo mencionado foi encerrado em 2025 e, até o momento, não tenho conhecimento da existência de qualquer nova ação judicial relacionada aos fatos tratados no vídeo”.
A informação é a mesma divulgada pelo escritório de Willer Tomaz, enviada por e-mail à Fórum, e contrasta com o comentário de Richarlison – que, consequentemente, foi apagado junto com o vídeo, mas foi printado pela reportagem.
“Realmente gastei em torno de 10 milhões lá. E simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber a minha grana”, exclamou Richarlison na publicação, sinalizando que pretende dar continuidade à ação. Após o comentário, o jogador não se pronunciou novamente.

Vídeos apagados
Após a viralização da publicação com o comentário de Richarlison, Ana Paula Zantut apagou o vídeo. Ela chegou a dizer que divulgaria outra gravação, mas desistiu, anunciando que não quer que ser “massa de manobra política”.
“Eu apaguei os vídeos e tem muita gente vindo aqui no perfil e perguntando porque que eu apaguei ou se eles foram derrubados ou se alguém mandou, enfim, etc. Não é isso, eu apaguei por conta própria, pelas seguintes razões. Isso virou um caos que não estava, não era a intenção e nunca foi.E aí eu me tornei massa de manobra política, uma coisa que eu não vou tolerar e não vou aceitar, é, seja para qual lado for, tá? É, não tenho questões políticas com Bolsonaro, com o outro ladinho, então, me utilizar com esse intuito não é a intenção e eu não quero ser viralizada a qualquer custo e com esse intuito, sabe? E aí eu fiz um, um segundo vídeo esclarecendo até mais, mais pontos, é, do primeiro vídeo, pontos, questão do Flávio, questão de, de como que encerrou esse litígio”, afirmou a advogada em vídeo nos Stories.
Na série de vídeos divulgados nos stories, Ana Paula vai da alegria pela repercussão do vídeo à frustração e nervosismo ao anunciar que deletou as publicações, que tiveram mais de 1 milhão de visualizações.
“Só reforçando, galera, essa notícia é antiga, tá? Eh, eu não sei como que isso não tinha estourado antes, se é que não estourou. Então, é isso. É uma notícia antiga.Fiquei extremamente feliz do Richarlison repostar, comentar e etc. Eh, e o que fica de lição é: vocês precisam de um advogado imobiliário. E assim, gente, beleza, que no caso dele é 10 milhões de reais, mas às vezes 300 em 500 mil é os seus 10 milhões, né?”, afirmou ressaltando o valor envolvido na disputa, segundo Richarlison.
Por e-mail, o advogado de Willer Tomaz enviou uma “retratação assinada pela advogada Ana Paula Zantut, que motivou a publicação”, afirmando que “o processo já transitou em julgado com decisão favorável ao doutor Willer” e pediu a publicação como outro lado na reportagem –leia ao final da reportagem.
O desejo por uma mansão de luxo que acabou na Justiça
O caso que aproxima o senador Flávio Bolsonaro do advogado Willer Tomaz tem como pano de fundo uma das propriedades mais cobiçadas de Angra dos Reis: uma mansão avaliada em cerca de R$ 10 milhões, localizada na Ilha Comprida, com 11 suítes, praia privativa, cachoeira, heliponto, piscina e quadra de tênis.
Segundo documentos judiciais e relatos reunidos pela reportagem, Flávio conheceu o imóvel em 2020 e demonstrou interesse imediato pela propriedade. Na ocasião, porém, o então proprietário informou que a venda já havia sido fechada com a empresa Sport 70, pertencente ao atacante Richarlison e ao empresário Renato Velasco. Mesmo assim, o senador e Willer Tomaz voltaram posteriormente ao local em uma lancha para visitar a mansão, e Flávio chegou a registrar imagens aéreas do imóvel.
Pouco depois, Willer Tomaz iniciou uma ofensiva judicial para obter a posse da propriedade. A disputa ganhou contornos dramáticos: uma idosa afirmou ter sido induzida a assinar documentos relacionados ao imóvel, enquanto uma mulher grávida — esposa do empresário de Richarlison — acabou retirada da residência durante o cumprimento de uma ordem de reintegração de posse, episódio que, segundo relatos, levou à antecipação de seu parto.
Embora Flávio Bolsonaro negue participação na disputa e sustente que apenas mantém amizade com Willer Tomaz, seu nome foi arrolado como testemunha na ação judicial movida pelo advogado. O caso reforçou os questionamentos sobre a proximidade entre ambos e sobre o interesse do senador pelo imóvel desde antes do litígio.
A disputa também chamou atenção porque ocorreu paralelamente à defesa, por Flávio Bolsonaro, de projetos voltados à transformação da Costa Verde em um grande polo turístico privado. Antes mesmo do atual debate nacional sobre a privatização das praias, o senador já patrocinava propostas para criar uma região administrativa especial destinada a impulsionar empreendimentos turísticos de alto padrão em Angra dos Reis e municípios vizinhos — área onde está localizada justamente a mansão objeto da disputa judicial.
Quem é Willer Tomaz
Muito antes da disputa pela mansão de Angra dos Reis, Willer Tomaz já havia se tornado personagem de um dos episódios mais rumorosos envolvendo pessoas próximas ao clã Bolsonaro.
Em 2019, o advogado e Flávio Bolsonaro sacaram cerca de R$ 1,5 milhão em espécie nos caixas de um cassino em Las Vegas, nos Estados Unidos. A operação chamou atenção porque os recursos foram retirados em dinheiro vivo, procedimento incomum para valores dessa magnitude. À época, ambos afirmaram que o saque tinha como objetivo permitir apostas no estabelecimento, prática comum em cassinos americanos. O episódio ganhou repercussão em meio às investigações sobre movimentações financeiras envolvendo o gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Criminalista conhecido em Brasília, Willer Tomaz construiu influência nos bastidores do Judiciário ao atuar em processos de grande repercussão e representar empresários, políticos e investigados em operações de corrupção. Sua trajetória, contudo, também é marcada por controvérsias.
Em 2017, foi preso preventivamente na Operação Patmos, acusado de atuar para comprar decisões judiciais em favor do empresário Joesley Batista. O advogado sempre negou as acusações e foi posteriormente colocado em liberdade, continuando a exercer a advocacia.
A amizade com Flávio Bolsonaro atravessou os anos. Além de aparecer ao lado do senador em viagens internacionais e no episódio do cassino em Las Vegas, Tomaz tornou-se uma figura recorrente em episódios que envolvem interesses patrimoniais ligados ao entorno do parlamentar. A disputa pela mansão de Richarlison, na qual Flávio figura como testemunha e cuja origem remonta ao interesse manifestado pelo senador pelo imóvel, tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos dessa relação.
Leia a íntegra
NOTA PÚBLICA DE RETRATAÇÃO E ESCLARECIMENTO: VEICULAÇÃO DE INFORMAÇÕES IMPRECISAS EM 01/07/2026 SOBRE O CASO DA “MANSÃO DE RICHARLISON”
Em atenção às relevantes repercussões decorrentes de vídeo recentemente publicado em minhas redes sociais contendo comentários acerca de suposta disputa judicial envolvendo imóvel localizado na Ilha Comprida/RJ, identificado como “mansão de Richarlison”, entendo ser meu dever, como Advogada, prestar os seguintes esclarecimentos sobre a questão.
Inicialmente, destaco que os comentários foram realizados a partir de notícia antigas e desatualizadas sobre o caso. Após exame mais aprofundado e ciente de que existe documentação processual muito além do quanto antes veiculado pela mídia, verifiquei que a comunicação inicialmente realizada continha imprecisões relevantes sobre aspectos fáticos e jurídicos essenciais do caso, inclusive em relação a partes envolvidas, desenvolvimento de acontecimentos, direitos envolvidos e natureza jurídica das controvérsias, todas essas circunstâncias que recomendam imediata correção e retificação.
Por essa razão, esclareço desde logo que os vídeos foram apagados e ficam integralmente sem efeito e devem ser desconsideradas todas as afirmações, interpretações, conclusões ou explicações constantes da publicação anteriormente divulgada, as quais não mais refletem minha compreensão atual dos fatos, que será melhor aprofundada e apresentada em novos conteúdos detalhados e fundamentos, que já estou preparando.
Reconheço que a forma sintética empregada na comunicação originária, aliada à complexidade da controvérsia e à existência de elementos processuais não então considerados, acabou por transmitir ao público informações insuficientemente contextualizadas e, em pontos relevantes, incompatíveis com o efetivo estado jurídico da questão.
Em respeito ao compromisso ético que orienta o exercício da advocacia e à responsabilidade inerente à divulgação de conteúdo jurídico em redes sociais, entendo ser imprescindível promover esta retratação pública imediata, a fim de evitar a continuidade da circulação de informações potencialmente equivocadas.
Estou preparando manifestação mais completa, em formato de vídeo, na qual apresentarei esclarecimentos técnicos detalhados acerca dos fatos, do histórico processual e dos equívocos verificados na comunicação anteriormente divulgada, permitindo ao público compreender o caso de forma mais precisa e contextualizada.
Até a divulgação desse novo conteúdo, reitero que não devem ser consideradas válidas ou atuais as informações constantes da publicação original, a qual resta expressamente retratada por esta nota.
Renovo meu compromisso com a informação jurídica responsável, com a boa-fé, com a correção de eventuais equívocos e com o permanente respeito aos fatos efetivamente comprovados e às decisões proferidas pelo Poder Judiciário.
Ana Paula Zantut
Advogada
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