A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) aponta que 54% dos brasileiros não consideram o senador Flávio Bolsonaro (PL) mais moderado que os demais integrantes da família Bolsonaro. O índice subiu quatro pontos desde junho e cria um obstáculo à tentativa do pré-candidato do PL à Presidência de se apresentar como uma versão mais “centrada” do bolsonarismo.
Flávio tentou marcar essa diferença em entrevista à “Folha de S.Paulo”, em dezembro, ao citar divergências com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Tenho os mesmos princípios, tenho o sangue Bolsonaro, mas nenhum ser humano é igual ao outro. Em vários momentos, ele tinha um entendimento, eu tinha outro. Ele não quis tomar vacina [contra a Covid], eu tomei duas doses”, disse. Na mesma entrevista, afirmou: “Muita gente pedia: ‘Bolsonaro, você tem que ser mais moderado’. Sou eu. Bolsonaro mais moderado.”
O melhor momento da estratégia ocorreu em abril, quando 39% dos entrevistados diferenciavam Flávio dos parentes e o viam como mais moderado. Ainda assim, naquele mês, 45% já avaliavam que ele tinha grau de moderação semelhante ao do pai e dos irmãos.
De abril para julho, a parcela que enxerga Flávio como tão moderado quanto os demais Bolsonaros subiu nove pontos. No mesmo período, o grupo que aceitava a ideia de um “Bolsonaro moderado” caiu de 39% para 29%. Outros 17% não souberam ou não responderam à pergunta.
A Genial/Quaest também perguntou aos entrevistados qual cenário causa mais medo: a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou a volta dos Bolsonaros ao poder. Para 46%, o maior temor é o retorno do clã do ex-presidente ao Planalto; 38% citaram uma nova vitória de Lula na eleição presidencial.