O cinema brasileiro pode enfrentar um novo período de cortes de recursos e paralisação de projetos caso Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno contra o presidente Lula (PT). O alerta é da Variety, maior revista especializada em cinema do mundo, que acompanhou as eleições durante o Festival do Rio e ouviu cineastas e produtores sobre o futuro do setor.
A preocupação ocorre em um momento de reconhecimento internacional da produção brasileira. Em 2025, “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, conquistou o primeiro Oscar do país. “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, também ganhou projeção mundial após receber dois prêmios no Festival de Cannes. A recuperação foi impulsionada por políticas culturais do governo Lula, que anunciou R$ 1,6 bilhão em investimentos no audiovisual.
O cenário contrasta com o governo Jair Bolsonaro, quando os orçamentos da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) sofreram cortes de quase 43%. O setor também enfrentou um congelamento de recursos públicos durante 18 meses. Atualmente, a indústria audiovisual brasileira gera mais de 600 mil empregos diretos e indiretos, número 58% superior ao da indústria automobilística, conforme estudo da Oxford Economics.
Durante o Festival do Rio, o cineasta Marcelo Gomes fez o gesto do “L” em apoio a Lula e foi aplaudido pelo público. Karim Aïnouz também declarou voto no presidente. Após o primeiro turno, em que Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, o clima entre os profissionais passou a ser de preocupação.
“O possível retorno ao poder do mesmo grupo que governou o país entre 2019 e 2022 é uma catástrofe”, afirmou a produtora Paula Cosenza, da Trema. Ela lembrou a paralisação do audiovisual, os cortes nas universidades e na pesquisa durante o governo Bolsonaro. “As políticas públicas culturais deveriam ser políticas de Estado, mas, no Brasil, parecem ser políticas de governo”, declarou.