Quase quatro décadas após Roberto Marinho dar voz ao terror econômico neoliberal contra Lula, narrativa encontra eco em editoriais e "analistas" da mídia que se unem a Flávio Bolsonaro e à Faria Lima para tentar conter um quarto - e radical? - mandato de Lula.
Por: Plínio Teodoro Publicado: 13/08/2026 - às 14h22 Atualizado: 13/08/2026 - às 14h36 | 8 min de leitura
Em texto intitulado “Convocação”, publicado como editorial de seu jornal O Globo em 2 de abril de 1989, Roberto Marinho fazia um “chamamento” aos líderes do PMDB e PFL — que hoje se travestem em MDB e União Brasil — a uma candidatura de consenso que “ofereça uma alternativa entre um projeto caudilhesco-populista e um outro sectário e meramente contestatório”, pregando um levante em “defesa dos nossos valores”, referindo-se aos então candidatos progressistas Leonel Brizola (PDT) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Sobre o sindicalista que “invadia fábricas”, o todo-poderoso da Globo ainda atribuía a “arrogância e a empáfia com que a CUT [a Central Única dos Trabalhadores] bloqueia qualquer entendimento de que possa resultar o controle da inflação e a elevação possível dos salários”.
O texto deu início a uma longa parceria entre a mídia liberal e o projeto neoliberal, representado pela Faria Lima e por partidos do Centrão e, mais recentemente, da ultradireita, para retomar o terrorismo econômico contra Lula em todas as sete eleições disputadas pelo presidente, que busca, em 2026, seu quarto mandato no Palácio do Planalto.