Protegido por Jair Bolsonaro (PL) em 2020 como um homem que “defende a família” e é “contra o aborto”, em meio à críticas dos apoiadores que esperavam uma indicação “terrivelmente evangélica” para o Supremo Tribunal Federal (STF),Kássio Nunes Marques rasgou a fantasia hipócrita de “Deus, Pátria e Família” daqueles que se aproveitam do falso discurso moralista e religioso ao ser o primeiro a ser tragado pela rede de prostituição, corrupção e dinheiro sujo de Daniel Vorcaro, pivô do escândalo financeiro do Banco Master.
Momentos antes de se julgar impedido de participar do histórico julgamento na suprema corte, que pode incluir ou não Alexandre de Moraes no rol de investigados do escândalo financeiro, Nunes Marques ficou nu diante da divulgação de conversas de Daniel Vorcaro que apontam financiamento ao filho, o jovem e “prestigiado” advogado Kevin Marques, e até mesmo pagamento de “amigas” com quem “teria ficado”, provavelmente nas festas pouco familiares patrocinadas pelo banqueiro.
Diálogos no celular de Vorcaro mostram que Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, faz referências a mesadas de R$ 500 mil ao filho de Nunes Marques, que já havia recebido dinheiro do megasonegador Ricardo Magro por meio da Consult Inteligência Tributária.
A primeira mensagem localizada no arquivo do celular que cita Kevin Marques é de 1º de outubro de 2024. Na ocasião, Rennó informa a Vorcaro que o STF havia tomado uma decisão favorável a empresas do setor sucroalcooleiro, reconhecendo a responsabilidade da União por prejuízos causados a usinas nas décadas de 1980 e 1990.
Naquele julgamento, votaram a favor da tese os ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. Gilmar Mendes e André Mendonça ficaram vencidos. Depois de comunicar o resultado, Rennó encaminhou a Vorcaro uma imagem com os contatos de Kevin Marques. Na sequência, escreveu: “Dominado aqui”.