O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou nesta terça-feira (14) uma notícia-crime que pedia a investigação de Jair Bolsonaro por uma suposta tentativa de interferir nos trabalhos da CPI da Covid. O magistrado acolheu a posição da Procuradoria-Geral da República (PGR), que afirmou não ter encontrado indícios de corrupção ativa ou advocacia administrativa.
O pedido foi apresentado por parlamentares do PSOL em 2021, após a divulgação de uma conversa telefônica entre Jair Bolsonaro, então presidente, e o senador Jorge Kajuru. Na ligação, Bolsonaro defendia que a comissão ampliasse sua investigação para incluir atos de governadores e prefeitos durante a pandemia.
Jair Bolsonaro reclamou que, sem a ampliação, a CPI ouviria integrantes de seu governo e poderia produzir um relatório contrário ao Planalto. “Tem que fazer do limão uma limonada”, afirmou. Em outro trecho, disse que a comissão iria “só para cima de mim” caso o foco não fosse alterado.
Na mesma conversa, Bolsonaro sugeriu que Kajuru acionasse o STF para tentar colocar em discussão pedidos de impeachment de ministros da Corte. Os autores da notícia-crime sustentaram que o então presidente pressionava um integrante do Legislativo para modificar o alcance de uma investigação que poderia atingi-lo pessoalmente.
A PGR considerou, porém, que a ligação foi uma conversa privada e informal sobre o funcionamento da comissão. O órgão afirmou que não houve oferta ou promessa de vantagem indevida ao senador e concluiu que Jair Bolsonaro apenas manifestou a posição de que a investigação deveria alcançar todas as esferas de governo.