A Corte de Cassação da Itália anulou a decisão que autorizava a extradição da deputada federal Carla Zambelli para o Brasil e determinou que o caso seja reexaminado pela Corte de Apelação de Roma. A decisão não impede definitivamente a extradição, mas condiciona uma nova análise à obtenção de informações mais detalhadas sobre o atendimento médico que a parlamentar receberia caso cumpra pena em um presídio brasileiro.
No julgamento, os magistrados italianos rejeitaram a maior parte dos argumentos apresentados pela defesa de Zambelli. A Corte afastou a tese de que a parlamentar sofre perseguição política no Brasil, considerou legítima a competência do Supremo Tribunal Federal para julgá-la e também entendeu que os crimes pelos quais foi condenada não têm natureza política.
Um dos principais argumentos da defesa era o de que Zambelli estaria sendo alvo de perseguição política em razão de sua atuação como aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Corte de Cassação rejeitou essa tese. Segundo os magistrados, embora a deputada tenha trajetória política conhecida e tenha atuado na oposição ao atual governo brasileiro, os crimes pelos quais foi condenada atingem bens jurídicos comuns, como a liberdade individual e a segurança pública, não podendo ser classificados como crimes políticos apenas pelo contexto em que ocorreram.
Também foi rejeitada a alegação de que o processo teria sido conduzido com finalidade persecutória.