Jornalistas da RPC TV, afiliada da Rede Globo no Paraná, redigiram um documento que denuncia que a emissora, comandada por Mariano Lemanski, estaria praticando assédio eleitoral pró Flávio Bolsonaro sobre funcionários, que estariam sendo ameaçados com cortes de salários. Segundo informações divulgadas pelo site Plural, a RPC TV usaria ainda como argumento a Emenda Constitucional que determina o fim da escala 6×1, que foi promulgada pelo presidente Lula no Congresso Nacional nesta sexta-feira (16).
“Nessas reuniões, gestores afirmam que, com o fim da escala 6×1, os profissionais de redação poderão perder 30% dos salários, enquanto repórteres de rua e cinegrafistas teriam perdas de até 60%. E mais: disseram que tudo dependerá também do resultado das eleições, porque o cenário pode mudar”, afirma o documento, que teria sido entregue ao Ministério Público do Trabalho.
Segundo a reportagem, a família Lemanski, alinhada ao conservadorismo de ultradireita e apoiadora de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições, teria divulgado que não haverá mais participação nos lucros e “orientaram os funcionários a não contar com esse dinheiro”.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) afirmou que tomou conhecimento das informações e, em nota divulgada nesta sexta-feira (16), diz que protocolou uma denúncia urgente no Ministério Público do Trabalho contra o Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM). Além da RPC TV, o conglomerado controla ainda os jornais Gazeta do Povo, claramente alinhado ao bolsonarismo, e Tribuna do Paraná, além de emissoras de rádio e um instituto.
Segundo a nota, citando relatos anexados à denúncia, a afiliada da TV Globo “teria supostamente utilizado o debate sobre o fim da escala 6×1 para instaurar um clima de medo e coação nas redações”.