A entrevista que Joice Hasselmann concedeu ao Fórum Onze e Meia trouxe uma sequência de declarações que ajudam a compreender, por outro ângulo, os bastidores do bolsonarismo. Concorde-se ou não com ela, trata-se de alguém que esteve no núcleo do poder e que conhece personagens, negociações e disputas internas como poucos.
Uma das afirmações que mais chamou atenção foi a de que William Waack teria aceitado o convite para assumir o Ministério das Relações Exteriores no início do governo Bolsonaro. Segundo Joice, ele já estaria a caminho de Brasília quando foi desconvidado por pressão do núcleo familiar do então presidente, especialmente em razão da influência exercida pelos filhos sobre a escolha do chanceler.
A declaração contrasta com a imagem pública de distanciamento político cultivada por Waack ao longo dos últimos anos. Se o relato de Joice corresponde aos fatos, revela que, nos bastidores, a fronteira entre jornalismo e participação direta no governo esteve muito mais próxima do que muitos imaginavam.
Outro trecho que merece atenção é quando Joice afirma desconfiar da versão oficial sobre a morte de Gustavo Bebianno. Ela diz não acreditar que o ex-ministro tenha sofrido um infarto de forma repentina e lembra que sua morte ocorreu depois de um rompimento traumático com Bolsonaro e sua família.
A ex-deputada também voltou a falar sobre Michelle Bolsonaro, descrevendo a ex-primeira-dama como “corredor do PP” antes de se tornar amante do Bolsonaro.