
A Polícia Federal fez uma busca na casa onde o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar, em Brasília, nesta quarta-feira (08), após inconsistências sobre o paradeiro de armas registradas em seu nome.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a operação ao apontar divergências entre os locais indicados pela defesa e o armamento efetivamente entregue aos órgãos competentes. Na decisão, ele afirmou que as informações “evidencia, em tese, o descumprimento da determinação judicial” e recomendam providências para localizar e apreender armas eventualmente mantidas com o ex-presidente.
Em 3 de julho, Moraes manteve a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro e determinou a apreensão imediata de todas as armas de fogo vinculadas a ele. A defesa deveria entregar o armamento à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal em até 48 horas.
Os advogados informaram inicialmente que oito armas estavam em um Batalhão do Exército e outras duas com a Polícia Federal. O Exército, porém, localizou apenas seis armas para entrega à PF, o que levou a defesa a enviar novo esclarecimento ao STF.

Defesa diz que a PF não encontrou armas na residência
O advogado João Henrique Freitas, defensor de Bolsonaro, disse nas redes sociais que acompanhou a busca na residência do ex-presidente. Segundo ele, o mandado assinado por Moraes procurava armas, munições, acessórios e documentos de registro.
A operação durou cerca de uma hora. Freitas afirmou que “nada foi encontrado” e sustentou que a defesa já havia informado previamente ao Supremo a situação das armas registradas em nome de Bolsonaro.
O Exército entregou à PF seis armas registradas em nome do ex-presidente: uma pistola Taurus calibre.380, uma pistola Taurus calibre.40, uma carabina/fuzil Springfield Armory calibre 7,62×51 mm, uma espingarda Typhoon calibre 12, uma pistola Arex calibre 9×19 mm e uma pistola SIG Sauer calibre 9×19 mm. O comandante do Batalhão de Polícia do Exército, tenente-coronel Caio de Vargas Lisbôa, informou que duas armas não foram localizadas no batalhão: uma pistola Glock calibre 9 mm e uma espingarda Maestro Arms Company calibre 12.
Em petição ao Supremo, a defesa alegou que a espingarda Maestro Arms Company permaneceu desde a aquisição sob guarda da empresa Maragato BR Importações de Artigos Bélicos, em Caxias do Sul (RS). Os advogados afirmaram que o armamento, recebido como presente, “nem sequer chegou a ser retirado das dependências da empresa”.
Na madrugada de 15 de junho, a Polícia Militar do Distrito Federal apreendeu uma arma registrada em nome de Bolsonaro durante uma abordagem envolvendo um agente de segurança, caso que levou à abertura de inquérito. Em depoimento, o ex-presidente admitiu que a arma era sua e disse que ela estava em sua residência porque “tem três mulheres em casa” e “não podia ficar desarmado”.