Como o compositor que completaria 80 anos e domou seus “cavalos selvagens” nos resgata do que há de mais baixo, cínico e predatório em nossa república. E por que ele nos lembra que a insignificância moral e política dessa gente passará
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A vida cotidiana muitas vezes nos atropela com suas pequenas banalidades, mas são os contrastes agudos que costumam ferir fundo o coração. É nesses nichos que os horrores trucidam nossas pequenas paixões.
É impossível não sentir uma melancolia amarga ao deparar-se com a sordidez da política nacional e, logo em seguida, buscar refúgio na arte indestrutível, estabelecendo paralelos dolorosos entre a beleza genuína e a lama institucional.
Há uma ironia cruel na forma como os nomes ecoam na memória. Enquanto canções lendárias eternizaram a força indomável de sentimentos viscerais, o título de uma produção cinematográfica recente, o maldito filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, acabou por se tornar sinônimo de polêmica, esquemas e apropriação de recursos públicos.