Itamaraty negou vistos de dois diplomatas do Departamento de Estado dos EUA por avaliar risco concreto de tentativa de interferência nas eleições brasileiras
Por: Ivan Longo Publicado: 30/07/2026 - às 05h16 Atualizado: 30/07/2026 - às 05h26 | 4 min de leitura
O Itamaraty negou, na última semana, os vistos de Riley M. Barnes e Samuel D. Samson, funcionários do Departamento de Estado dos EUA ligados ao governo Trump, que pretendiam vir ao Brasil alegando discutir liberdade de expressão no contexto eleitoral. Segundo integrantes do governo brasileiro, os dois diplomatas revelaram, nos contatos para agendamento de reuniões, a intenção de se encontrar com Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência da República. A negativa ocorreu antes mesmo da publicação de uma reportagem do Washington Post que expôs o plano estadunidense, e levou em conta a avaliação de que a visita poderia ser usada para questionar a integridade das urnas eletrônicas brasileiras.
O Itamaraty negou os vistos de Riley M. Barnes, secretário-assistente do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado dos EUA, e de Samuel D. Samson, secretário-assistente adjunto do mesmo escritório. Os dois são funcionários do governo Trump e pretendiam vir ao Brasil com a justificativa oficial de discutir liberdade de expressão no contexto das eleições. A negativa foi dada na sexta-feira (25), antes da publicação da reportagem do Washington Post que tornaria o caso público.
A justificativa apresentada pelos diplomatas para a viagem é, por si só, politicamente carregada: “liberdade de expressão no contexto das eleições” é formulação que, no vocabulário da direita trumpista e bolsonarista, costuma funcionar como moldura para questionar regulações eleitorais e instituições de controle. O Itamaraty não precisou esperar a repercussão internacional para agir: a decisão de barrar a entrada dos dois funcionários foi tomada com base na avaliação interna do próprio governo brasileiro sobre os riscos que a visita representava.