Uma tentativa de filiação de Flávio Bolsonaro ao Partido Missão, feita com dados inconsistentes e um CPF que não corresponde ao do senador, acabou registrada como regular no sistema da Justiça Eleitoral mesmo após o partido identificar a irregularidade e tentar barrar a operação.
Segundo relatório técnico do próprio Missão, o caso envolve uma sequência que começa com um cadastro suspeito, passa por tentativas de pagamento recusadas, inclui a identificação de uma divergência de CPF e uma tentativa de reversão. Termina, horas depois, com a filiação aparecendo como “regular” no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O TSE descarta que tenha havido invasão do sistema. Em nota, o tribunal afirmou que a filiação ocorreu por meio do “uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações” — no caso, credenciais vinculadas ao próprio Missão.
O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) e determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária para identificar o responsável pela operação.
O episódio também abriu outra frente de apuração. Um e-mail relacionado ao cadastro foi enviado ao endereço institucional de Flávio no Senado em 2 de agosto e teve sua primeira abertura registrada apenas dois minutos depois, dez dias antes de a filiação aparecer no sistema eleitoral.