O fim da escala 6×1 ficou fora do programa de governo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O candidato à Presidência não propõe reduzir a jornada semanal nem estabelece mudanças específicas no regime de seis dias trabalhados para um de descanso, preferindo ampliar o espaço para que empresas e trabalhadores negociem diretamente jornadas e outras condições de trabalho.
A escolha vai na direção contrária à opinião manifestada pela maioria dos brasileiros. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em julho mostrou que 69% dos entrevistados apoiam o fim da escala 6×1, quase sete em cada dez brasileiros, enquanto 22% são contrários.
No documento “Para o Brasil Vencer o Atraso”, Flávio defende o princípio do “negociado sobre o legislado”. A campanha afirma que a flexibilização permitiria criar jornadas adaptadas às necessidades de mães, jovens e pessoas que enfrentam dificuldades para ingressar no mercado de trabalho.
O posicionamento também contrasta com a proposta apoiada pelo governo Lula para reduzir a jornada. A Câmara aprovou em maio uma mudança que diminui gradualmente de 44 para 40 horas o limite semanal e estabelece dois dias de descanso remunerado. A proposta ainda precisa passar por dois turnos de votação no Senado.
Flávio também promete reduzir o custo da contratação com carteira assinada sem retirar direitos. Seu programa afirma que manter um trabalhador formal pode custar aproximadamente o dobro do salário recebido pelo funcionário, mas não detalha quais encargos seriam reduzidos para cumprir a promessa.