Emails obtidos pela Polícia Federal (PF) na investigação sobre os descontos indevidos em aposentadorias do INSS indicam que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) tinha uma conta bancária vinculada ao mesmo usuário administrador de contas do advogado Willer Tomaz, suspeito de participar de um esquema de lavagem de dinheiro relacionado às fraudes previdenciárias. Os dois negam qualquer vínculo financeiro.
Segundo reportagem do UOL, a PF encontrou as mensagens durante a análise de arquivos armazenados na conta do iCloud do advogado, alvo da operação Sem Desconto. Os documentos mostram uma troca de emails entre uma funcionária do escritório de Tomaz e o banco Santander, em maio de 2025, sobre a administração de contas vinculadas ao advogado.
Em uma mensagem enviada em 22 de maio daquele ano, a funcionária Fayla Zulmira Menezes pediu ao banco que desvinculasse do usuário principal associado a Willer Tomaz uma conta identificada com o nome de Flávio Bolsonaro. O Santander respondeu no mesmo dia, confirmando a exclusão do vínculo.
O usuário principal, chamado de master pelo Santander, pode administrar operações de contas empresariais e autorizar o acesso de outros usuários. Segundo a análise da PF, a conta identificada com o nome de Flávio estava associada ao mesmo contato de administrador utilizado pelo escritório de Tomaz.
A investigação também identificou mensagens relacionadas à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual o advogado é sócio. A companhia aparece entre as empresas analisadas pela PF na apuração sobre possível lavagem de dinheiro.