Flávio Bolsonaro resolveu aparecer treinando ao lado de Renato Cariani, influenciador fitness que responde a um processo por associação ao tráfico, lavagem de dinheiro e outros crimes investigados pela Polícia Federal. Como qualquer cidadão, Cariani tem direito à ampla defesa e à presunção de inocência. Mas a escolha de Flávio de expor esse encontro nas redes sociais é, antes de tudo, um fato político.
O que me chama atenção é a contradição. Estamos falando de um grupo político que construiu sua imagem com o discurso de combate implacável ao crime, mas que frequentemente aparece associado a personagens envolvidos em investigações ou processos de grande repercussão.
Segundo a Polícia Federal, Cariani teria participado de um esquema de desvio de insumos químicos da empresa Anidrol, da qual é sócio. A investigação aponta que notas fiscais falsas simulavam vendas para grandes indústrias farmacêuticas, enquanto parte dos produtos era desviada para abastecer a produção de drogas destinada ao crime organizado, inclusive facções ligadas ao PCC.
As apurações também envolveram movimentações financeiras consideradas atípicas, identificadas pelo Coaf, que passaram a integrar o conjunto de provas analisadas no processo. A defesa de Cariani nega qualquer irregularidade e o caso ainda será julgado pela Justiça.
Não estou dizendo que uma foto ou um treino provam qualquer crime. O que afirmo é que imagens também comunicam. Quando um senador da República escolhe aparecer ao lado de um réu em um processo dessa gravidade, ele envia uma mensagem política e precisa assumir o custo dessa decisão.