O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu o controle. Após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibi-lo de visitar o pai, Jair Bolsonaro, por 90 dias, o parlamentar protagonizou um verdadeiro surto em transmissão ao vivo. A reação, no entanto, rapidamente virou peça de propaganda nas mãos de aliados da extrema direita, que agora tentam emplacar a figura do “Flávio Pistola” para animar a militância digital e mascarar o revés jurídico.
A sanção imposta por Moraes ocorreu após a constatação de que o senador usou um encontro presencial para burlar decisões judiciais. Flávio obteve e divulgou uma carta com claro teor eleitoreiro assinada pelo ex-mandatário. Jair Bolsonaro cumpre medidas cautelares severas e está terminantemente proibido de utilizar redes sociais — seja diretamente ou por meio de “laranjas digitais”.
Sem o acesso direto ao pai, que vinha funcionando como seu principal cabo eleitoral e fiador político, Flávio recorreu à internet para atacar o STF. Aos gritos e utilizando palavrões, o senador assumiu uma postura histriônica, prometeu radicalizar o discurso de sua pré-campanha e cravou: “Pode me chamar de radical, não tô nem aí”.
O que seria um nítido isolamento político foi imediatamente reembalado por figuras carimbadas do bolsonarismo. Felipe Pedri, ex-secretário de Comunicação Institucional da gestão anterior e ex-assessor do senador, foi às redes para exaltar o descontrole do antigo chefe. Segundo Pedri, a live de mais de uma hora fez “o pulso do bolsonarismo” voltar a bater, alegando que a base conservadora anseia por esse perfil agressivo.
Em sua publicação, o ex-assessor tentou justificar a sanção de Moraes como uma manobra para silenciar o “único porta-voz” de Jair Bolsonaro. A declaração, ironicamente, escancara a maior fragilidade da pré-campanha de Flávio: a total dependência do capital político do pai para se manter relevante no xadrez da extrema direita, em meio a rachas internos e disputas por poder no PL.