Flávio Bolsonaro (PL) colocou em risco a segurança jurídica da Zona Franca de Manaus ao defender a suspensão da reforma tributária por pelo menos um ano e a revisão das regras do sistema. A proposta provocou preocupação entre empresários e representantes do setor produtivo do Amazonas, porque pode reabrir a discussão sobre os incentivos fiscais garantidos ao modelo industrial até 2073.
A posição contrasta com o discurso adotado pelo senador em setembro de 2026, quando visitou a fábrica da Honda, no Distrito Industrial de Manaus. Na ocasião, Flávio classificou a Zona Franca como “sagrada”, prometeu estimular investimentos e empregos e vestiu uma camisa com a inscrição “100% Zona Franca”. A declaração ocorreu depois de críticas feitas por ele aos benefícios fiscais do modelo durante a tramitação da reforma tributária, em 2023.
Na discussão da reforma, Flávio questionou as vantagens tributárias concedidas ao Amazonas e argumentou que os benefícios poderiam atrair empresas para a região em prejuízo de outros estados. O senador criticou dispositivos que preservavam a competitividade da Zona Franca e defendeu mudanças no texto. Em 2026, ampliou as críticas à reforma tributária e passou a propor a suspensão de sua implementação, com o argumento de que seria necessário rever impostos, alíquotas e regimes especiais.
O coordenador da campanha, Rogério Marinho, também defendeu uma pausa na implementação para rediscutir as regras. A proposta prevê reabrir pontos do sistema tributário aprovado pelo Congresso em 2023. Até o momento, porém, Flávio e sua equipe não apresentaram uma proposta específica para extinguir os incentivos da Zona Franca. O risco apontado por empresários e representantes do setor é que a suspensão abra caminho para novas disputas sobre as garantias fiscais do modelo e aumente a incerteza para quem pretende investir na região.
A preocupação tem dimensão econômica. Em 2025, o Polo Industrial de Manaus registrou faturamento de R$ 227,6 bilhões, um recorde histórico, segundo dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). O polo reúne empresas de setores como eletroeletrônicos, motocicletas, informática e bens de consumo, gera empregos formais e movimenta cadeias de comércio e serviços em todo o estado.