Enquanto Flávio Bolsonaro diz que vai votar a favor do fim da escala 6×1, indo contra o que sempre defendeu, aliados do candidato articulam uma estratégia para reverter os efeitos da decisão caso o senador seja eleito presidente. Essa intenção foi transmitida a representantes do mercado financeiro. Segundo apurou o ICL Notícias, o plano envolve disputar o comando da Câmara e do Senado em 2027 e retomar propostas apresentadas por parlamentares bolsonaristas para o tema.
A movimentação ocorre apesar de Flávio ter anunciado, nesta terça-feira (13), que votará a favor da redução da jornada de trabalho, prevista para ser analisada pelo Senado nesta quarta-feira (14). A preocupação da campanha é fazer as garantias chegarem aos investidores por meio de interlocutores, evitando que o candidato seja diretamente associado à promessa de modificar uma medida que passou a defender publicamente.
Duas propostas já protocoladas são consideradas alternativas para essa estratégia. A PEC 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, e assinada pelo próprio Flávio, continua em tramitação no Senado. Outra possibilidade é recuperar a PEC 40/2025, do deputado Mauricio Marcon (PL-RS), que também não foi arquivada. Ambas permitem jornadas flexíveis e remuneração proporcional às horas trabalhadas, em contraste com a proposta que estabelece 40 horas semanais, dois dias de descanso remunerado e manutenção dos salários.
A intenção é aproveitar a nova composição do Congresso a partir de 2027 para avançar com uma dessas alternativas. O objetivo político é esvaziar as garantias da redução da jornada, embora a aprovação das PECs não signifique automaticamente a revogação de direitos que eventualmente sejam incorporados à Constituição.
A comunicação com o mercado financeiro ficou sob responsabilidade de Daniela Marques e de outros integrantes da coordenação econômica da campanha. Houve o cuidado de transmitir os compromissos por intermediários para evitar a exposição direta de Flávio. Daniela já havia classificado a discussão sobre o fim da escala 6×1 como “populista e inócua”, posição que contrasta com o apoio anunciado pelo candidato às vésperas da votação.