Senador associou falsamente as urnas eletrônicas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic diante de diplomatas de 42 países
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, usou um evento com representantes diplomáticos de 42 países em Brasília, nesta terça-feira (21), para disseminar informações falsas sobre as urnas eletrônicas brasileiras, associando-as à empresa venezuelana Smartmatic. No mesmo discurso, pediu que os países enviem “a maior quantidade de observadores possível” para as eleições de outubro, citando documentos da CIA sobre supostas fraudes eleitorais na Venezuela. O episódio repete, ponto a ponto, a estratégia de seu pai, Jair Bolsonaro, declarado inelegível pelo TSE após reunião semelhante com embaixadores em 2022.
O evento “Debatendo o Brasil”, organizado pelo site The Brazilian Report e pela agência Novo Selo Comunicação, reuniu membros do corpo diplomático de nações como Estados Unidos, Israel, Reino Unido, África do Sul, Austrália, Alemanha e Paraguai, entre outros. Foi diante dessa plateia que Flávio Bolsonaro escolheu evocar documentos da CIA, divulgados pela gestão Trump na semana anterior, que apontam suspeitas sobre o processo eleitoral venezuelano, para então fazer uma conexão sem respaldo com o sistema eleitoral brasileiro.
“Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela”, disse o senador. Na sequência, afirmou que “muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, referindo-se à Smartmatic, empresa citada no documento da CIA como suspeita de envolvimento em manipulação de votos nas eleições venezuelanas de 2010 e 2012.
A partir dessa premissa falsa, Flávio fez seu pedido central à plateia estrangeira: “O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes.”