
A prisão do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) levou a cúpula do União Brasil a descartar o apoio da federação PP-União à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Canella é pré-candidato ao Senado e tinha o apoio de Flávio, tendo Rogéria Bolsonaro, mãe do senador, como suplente na chapa.
Segundo o Globo, a operação da Polícia Federal contra o ex-prefeito irritou dirigentes do União Brasil por dois motivos: a leitura de que o PL tentou retirar o aliado da disputa e a ausência de um gesto público ou reservado do senador após a prisão.
Desde a detenção, circulou a possibilidade de Canella abandonar a corrida ao Senado e disputar uma vaga de deputado. Lideranças do União Brasil atribuem essa movimentação a correligionários do PL e enxergam a especulação como uma tentativa de abrir espaço para um nome próprio na chapa.
Dirigentes do partido ainda defendem que a candidatura de Canella ao Senado não acabou. O grupo sustenta que ele pode deixar a prisão e que ainda existem caminhos políticos e jurídicos para mantê-lo na disputa.

Dirigentes cobram gesto de Flávio Bolsonaro
O segundo foco de desgaste envolve a reação de Flávio Bolsonaro. Integrantes da cúpula do União Brasil esperavam algum sinal de apoio ao aliado, ainda que discreto, mas avaliam que o senador não fez nenhum movimento depois da ação da PF.
Canella foi preso na quarta-feira (08), após agentes encontrarem um fuzil em seu carro. A prisão atingiu diretamente a articulação eleitoral em torno da vaga ao Senado no Rio, onde o ex-prefeito era tratado como aliado do PL.
O ex-prefeito foi um dos alvos da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro.
Com a prisão e o desgaste entre as legendas, a federação PP-União passou a tratar o apoio a Flávio Bolsonaro como fora da mesa nas conversas sobre a montagem da chapa ao Senado no Rio de Janeiro.