O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, pagou R$ 600 mil à empresa de cibersegurança Elytron, que ofereceu nos Estados Unidos um sistema de inteligência artificial (IA) voltado à manipulação política clandestina, segundo documentos revelados pelo Intercept Brasil. A campanha nega ter contratado qualquer serviço que viole a legislação eleitoral.
Os documentos descrevem uma estrutura para coletar e cruzar dados de eleitores, identificar segmentos de público e executar ações como espalhar boatos, criar contas falsas e desacreditar adversários. A apresentação também cita “técnicas de guerra psicológica” e métodos de infiltração.
Ex-consultor da Elytron entre 2024 e 2025, Vincent Edward Reed foi o responsável por denunciar o sistema. “Quando vi a demonstração [do sistema] e o dashboard, pude entender do que era capaz. E isso foi preocupante para mim porque vi que estava mirando eleitores e poderia atingi-los com deepfakes de IA”, disse.
Ele denunciou o caso ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos EUA, mas as investigações não avançaram. Não há evidências de que o sistema tenha sido utilizado pela campanha de Flávio Bolsonaro ou pelo PL nas eleições de 2026.
Reed disse que o sistema foi apresentado como uma ferramenta analítica de IA, mas que posteriormente os responsáveis por ela usaram o termo “manipulação” para descrevê-la. “E qualquer vez que eu ouço a palavra manipulação humana, especialmente quando envolve IA, me preocupa”, prosseguiu.