A informação falsa de que Flávio Bolsonaro teria feito pós-graduação em Ciência Política na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) não ficou restrita aos perfis oficiais do senador na Alerj e no Senado. Documentos levantados pela Fórum mostram que o currículo inexistente atravessou o país e foi usado até para justificar honrarias propostas a Flávio por parlamentares aliados.
A Fórum encontrou a referência à suposta formação na UFRJ em propostas de homenagem apresentadas em Santo André (SP), Goiás e Espírito Santo. Em dois dos casos, Santo André e Espírito Santo, a informação aparece no próprio documento legislativo que propõe a homenagem. Em Goiás, ela consta tanto da justificativa original assinada pelo autor da proposta quanto da página oficial da Assembleia Legislativa criada para divulgá-la.
Não se trata, portanto, apenas de uma informação publicada por terceiros em páginas da internet. Em Santo André e Goiás, os textos atribuindo a Flávio uma passagem pela UFRJ constam de proposições apresentadas por parlamentares do PL, partido do senador. No Espírito Santo, a afirmação aparece em projeto apresentado pelo deputado Alcântaro Filho (Republicanos), que declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro afirma que não há registro de Flávio Nantes Bolsonaro como aluno em seu Sistema Integrado de Gestão Acadêmica (Siga). Depois da revelação do caso, a campanha disse que as referências à formação seriam fruto de “erros ou equívocos” e levantou a possibilidade de a informação ter sido extraída de páginas como a Wikipédia.
O novo levantamento amplia o tamanho do problema: a mesma formação acadêmica inexistente foi transformada em argumento para homenagear o senador em diferentes Legislativos estaduais e municipais.