- Em 8 de março, o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) fez live alegando que a busca e apreensão na casa de Jair Bolsonaro seria “cortina de fumaça”.
- Ele afirmou que o ministro Alexandre de Moraes teria pedido à defesa do pai a localização de armas para encobrir sua fala nos EUA.
- Na realidade, a ordem de busca foi emitida por Moraes para que Jair Bolsonaro entregasse oito armas registradas em seu nome até 7 de março.
- A ação da Polícia Federal, autorizada pelo STF, não tem vínculo com a audiência de Flávio nos Estados Unidos.
Nos EUA, onde esticou a temporada de cinco dias para falar por 4 minutos em audiência sobre o tarifaço, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez uma live na manhã desta quarta-feira (8) em que mentiu sobre a ação da Polícia Federal (PF) na casa do pai, Jair Bolsonaro (PL). Segundo o senador, a ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) foi uma “cortina de fumaça” para ofuscar a fala que fez nos EUA.
“Bolsonaro acabou de tomar mais uma busca e apreensão agora pela manhã, o que na minha percepção é uma clara tentativa de criar uma cortina de fumaça nesse momento que eu estou aqui trabalhando pelo Brasil para tentar dividir o noticiário com coisas negativas”, disse o “01”.
Flávio então passa a mentir sobre o motivo da ação, dizendo que o ministro do STF teria apenas pedido a defesa do pai para “informar onde estão as outras armas”, além a da que foi apreendida com um militar que fazia a segurança de Jair Bolsonaro.
“Desde a sexta-feira passada, a defesa está informando: olha, essa arma aqui está em tal lugar, essa aqui está no exército, essa aqui está na polícia federal porque teve essa operação, ficaram com essa arma lá, essa arma aqui tá em outro lugar. Tudo informado, claramente, com tranquilidade, com transparência, com documentos, tudo informado ao Alexandre de Moraes. Aí o que que acontece hoje? Ele faz uma busca e apreensão para saber se a defesa estava mentindo ou não”, mentiu.
Na verdade, Moraes determinou a busca e apreensão porque havia pedido para Bolsonaro entregar todas as oito armados registradas no nome dele até esta terça-feira (7). Mas, o ex-presidente só entregou seis armas, alegando não saber onde estavam outras duas. A entrega do arsenal foi a condição imposta pela Justiça para que ele permanecesse em prisão domiciliar.
“Sobrevieram aos autos informações indicando divergência entre o quantitativo de armas de fogo regularmente registradas em nome do apenado e aquelas efetivamente entregues aos órgãos competentes, circunstância que evidencia, em tese, o descumprimento da determinação judicial e recomenda a adoção de providências destinadas à localização e apreensão dos armamentos eventualmente mantidos sob o poder do condenado”, diz o ministro na decisão.
Em seguida, Moraes explica que o ex-presidente não pode ficar armado em prisão domiciliar.
“A permanência de armas de fogo em poder do executado, quando já determinada sua entrega integral, revela situação incompatível com a ordem judicial anteriormente proferida e justifica a adoção de medida constritiva destinada exclusivamente à localização e apreensão de armamentos remanescentes”, emenda.
Por esse motivo, Moraes determinou a ação da PF “a fim de assegurar o efetivo cumprimento da ordem judicial de entrega integral das armas de fogo”.