FLáVIO BOLSONARO Já FOI MAIS AOS EUA DO QUE A 10 ESTADOS DO NORTE E NORDESTE
Senador do PL prepara sexta viagem ao país de Trump em 2026, enquanto Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Pernambuco, Piauí, Roraima, Sergipe e Tocantins seguem fora da pré-campanha
- Senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) prepara sua sexta viagem aos Estados Unidos em 2026, conforme levantamento do O Globo.
- Ele já visitou 17 unidades da federação, mas ainda não esteve em dez estados do Norte e Nordeste (Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Pernambuco, Piauí, Roraima, Sergipe e Tocantins).
- A agenda internacional do senador concentra‑se na Casa Branca, com encontros ao lado de Marco Rubio e de movimentos conservadores norte‑americanos.
- A missão ocorre em meio à discussão nos EUA sobre um tarifão de 25 % a produtos brasileiros e ao processo da Seção 301 sobre comércio digital e desmatamento.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já foi mais vezes aos Estados Unidos em 2026 do que a dez estados do Norte e do Nordeste na pré-campanha à Presidência da República. O senador prepara sua sexta viagem ao país de Donald Trump, enquanto ainda não passou por Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Pernambuco, Piauí, Roraima, Sergipe e Tocantins.
O levantamento foi publicado inicialmente pelo jornal O Globo. Desde que lançou a pré-candidatura ao Planalto, Flávio Bolsonaro percorreu 17 unidades da Federação, mas concentrou fora do Brasil uma parte central de sua agenda política, marcada pela aproximação com a Casa Branca, com Marco Rubio e com o movimento conservador norte-americano.
A nova viagem aos Estados Unidos ocorre em meio à discussão sobre o tarifaço de 25% proposto pelo governo Trump contra produtos brasileiros. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, mantém em curso o processo da Seção 301 sobre comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal no Brasil.
Flávio Bolsonaro prioriza EUA e deixa dez estados sem visita
O contraste virou um dado político incômodo para a pré-campanha bolsonarista. Flávio Bolsonaro já passou por Rondônia, Pará, Maranhão, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Mas a lista de ausências se concentra em duas regiões decisivas para qualquer disputa presidencial. No Norte, ficaram fora Acre, Amapá, Amazonas, Roraima e Tocantins. No Nordeste, o senador ainda não visitou Alagoas, Ceará, Pernambuco, Piauí e Sergipe.
A lacuna pesa porque Norte e Nordeste são regiões em que o bolsonarismo historicamente enfrenta mais dificuldade para ampliar palanques competitivos contra o campo liderado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A ausência também expõe a tensão entre a construção nacional da candidatura e a aposta internacional do clã Bolsonaro.
Viagem aos EUA ocorre em meio ao tarifaço de Trump
A próxima passagem de Flávio Bolsonaro por Washington terá como pano de fundo a audiência pública do USTR sobre a proposta de sobretaxa de 25% a produtos brasileiros. O órgão norte-americano informou que a audiência sobre a ação proposta está marcada para 6 de julho, com prazo legal para decisão até 15 de julho.
Flávio se inscreveu para depor contra a tarifa. A medida foi proposta pelo governo Trump depois de o USTR afirmar que determinadas práticas brasileiras seriam “não razoáveis” e prejudicariam o comércio dos Estados Unidos. O governo brasileiro vê componente político na ofensiva.
A Fórum mostrou que Flávio Bolsonaro pediu a Trump adiamento de seis meses do tarifaço. O movimento abriu uma crise porque o próprio senador argumentou, em documento enviado aos norte-americanos, que a medida poderia dar uma vitória política ao governo Lula.
Após a carta, Lula enquadrou Flávio Bolsonaro e afirmou que o Brasil “não está à venda”. A fala do presidente atingiu o centro da estratégia bolsonarista de transformar a relação com Trump em ativo eleitoral, mesmo sob risco de desgaste pela subordinação da política externa brasileira a interesses de Washington.
Norte e Nordeste ficam para depois na pré-campanha de Flávio
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro tenta reduzir o ruído com a previsão de agendas em Pernambuco e Ceará após a volta dos Estados Unidos. Os dois estados estão entre os dez que ainda não receberam visita do senador desde o início da movimentação presidencial.
O Ceará tem peso adicional na crise interna da direita. Foi no estado que a disputa em torno da candidatura de Priscila Costa ao Senado abriu uma guerra pública entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, com reflexos diretos na montagem dos palanques do PL para 2026.
A Fórum mostrou que a ofensiva de Michelle no Ceará aprofundou o racha do clã e deixou Flávio exposto em uma das regiões onde a direita tenta avançar. A crise interna atingiu a pré-campanha justamente no momento em que o senador busca se apresentar como herdeiro político de Jair Bolsonaro.
A agenda internacional, portanto, não é apenas um deslocamento diplomático. No desenho da pré-campanha, os Estados Unidos viraram palco privilegiado para Flávio Bolsonaro, enquanto dez estados brasileiros ainda aguardam a primeira visita do pré-candidato.
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