O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu nesta terça-feira (11), na sede de sua campanha em Brasília, cerca de 20 candidatos ao Senado que apoia e os questionou diretamente sobre o apoio a um eventual impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em coro, os presentes responderam “sim” e “com certeza”.
O encontro combinou alinhamento de discurso, gravações para o horário eleitoral e a primeira aparição presencial conjunta com Michelle Bolsonaro desde a “reconciliação” dos dois no mês passado.
Diante dos candidatos reunidos, Flávio Bolsonaro fez a pergunta em voz alta: “Vocês são a favor de impeachment do Alexandre de Moraes?” A resposta veio em uníssono. O senador havia acabado de afirmar que o ministro “virou o grande articulador político do Lula” e que, ao “vir para a seara política”, autorizou todos os políticos a responderem no mesmo campo. “Eu lamento. Você vê que Alexandre de Moraes hoje virou o grande articulador político do Lula, promovendo encontro dentro da casa dele com outros políticos. Mas o Alexandre de Moraes veio para a seara política, então todos os políticos estão autorizados a responder dentro da política também”, disse Flávio a jornalistas.
O senador foi além do ataque e transformou a pauta em compromisso eleitoral explícito: afirmou que os candidatos serão cobrados pela população, nas eleições, a apoiarem o impeachment de Moraes. A acusação de que o ministro atua como operador político do governo Lula é um enquadramento recorrente no bolsonarismo para deslegitimar o STF, mas Flávio a converteu, nesta terça, em critério de seleção e alinhamento para sua bancada no Senado. Segundo a Folha de S.Paulo, Flávio lançou 47 nomes para o Senado, sendo que a maioria é abertamente a favor de condenar ministros do STF à perda do cargo.
A referência de Flávio era direta: na semana passada, o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se reuniram na casa de Moraes, com a participação do ministro Cristiano Zanin. O encontro foi articulado para reaproximar os dois, que estavam rompidos desde abril, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no STF. Para o bolsonarismo, o fato de a reunião ter ocorrido na residência do ministro é evidência suficiente de que Moraes atua como mediador político do governo, argumento que Flávio usou para justificar a pauta de impeachment.